Paulo Portas elogiou a coligação com o PSD, apontando o dedo ao PS, que considerou responsável pela intervenção externa, antevendo que os socialistas se preparam para colocar “a dívida a crescer” e fazer “disparar o défice”.

“Não se esqueçam destes quatro factos: Quem trouxe a troika? O PS. Quando foi a troika embora? Com um Governo da AD (Aliança Democrática). Quem assinou o memorando? O PS. Quem terminou o memorando? O Governo da AD. Quem tira Portugal do défice excessivo? Um Governo da AD. Quem deixou em Portugal um défice excessivo? O PS. Quem reembolsa o empréstimo ao FMI para poupar juros? O Governo da AD. Quem foi bater à porta do FMI, em desespero, e o trouxe para Portugal, com as consequências que conhecemos? O PS”, disse Paulo Portas, explicando depois ter referido “AD”, coligação do tempo de Amaro da Costa e Sá Carneiro, por “facilidade” para a plateia.

Num almoço comemorativo do 1.º de Maio, na Sobreda da Caparica, Almada, o vice-primeiro-ministro lembrou que “PSD e CDS votaram nos seus órgãos próprios, livremente, uma aliança para dar a Portugal um projeto de governo estável, maioritário, capaz de levar o pais para um situação de crescimento, criação de emprego, recuperação de poder de compra, sem por em risco o caminho já feito para reconquistar a credibilidade e evitar o vexame” sofrido com a presença da ‘troika’.

“O plano da maioria para eliminar sobretaxa do IRS, que foi a mais injusta de todas as medidas, é melhor do que o plano do PS. Nós vamos eliminá-la com um crédito fiscal sobre 2015 e com a redução em 2016 e reduções seguintes, mas sabemos que o podemos fazer por que temos um défice abaixo de 3%. Eles dizem que fazem essa redução, mas põem o défice acima de 3% e mais 10 pontos na dívida. Quem põe a dívida a crescer e deixa disparar o défice, depois, não pode fazer certos compromissos”, afirmou.

Antes, o presidente do grupo parlamentar centrista, Nuno Magalhães, dirigiu-se à oposição, brincando com o episódio recente de confrontação sofrido pelo ministro grego das Finanças, que terá sido protegido pela própria mulher.

“Quando muitos falavam queriam o caos grego, falavam naquilo que era o canto de sereia grego, aquilo que era tido como o país das maravilhas grego… onde é que eles estão? Faço daqui um apelo, aos do Bloco (de Esquerda), mas também no PCP e no PS, que celebraram a vitória do Syriza. Onde é que estão a apoiar o senhor Varoufakis? Parece que a única pessoa que o apoia é a mulher do senhor Varoufakis”, disse.

Para Magalhães, nas próximas eleições legislativas, o que está em causa é “voltar a 2011 ou continuar em 2015”, ao invés de se ir “pedir um empréstimo, de mão estendida, aos credores”, manter a “cabeça erguida” e “dizer à União Europeia que quem manda” em Portugal são os portugueses, pois a maioria PSD/CDS-PP conseguiu cumprir “aquilo que prometeu, tirar Portugal do protetorado, acabar com a troika“.