Os ministros das Finanças da Grécia disse esta terça-feira que da próxima reunião do Eurogrupo, na próxima segunda-feira, ainda não deve ser conseguido um acordo final com os credores europeus, mas que devem ser dados passos em direção a um acordo final. De acordo parece estar o ministro das Finanças da Alemanha, que diz cético da possibilidade de se conseguir um acordo na segunda-feira.
“Iremos certamente ter uma discussão fértil que irá confirmar os grandes progressos alcançados e será outro passo em direção a um acordo final”, disse Yanis Varoufakis após uma reunião em Bruxelas com o comissário Europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici.
Em Berlim, Wolfgang Schäuble mostrou também ele cético de que o acordo pode chegar já nos próximos dias, ainda que não exclua a hipótese.
“Estou um pouco cético sobre a hipótese de isso acontecer até segunda-feira, mas não excluo essa possibilidade”, afirmou, adiantando que a falta de progressos não é culpa das instituições e lamentando o que considera ter sido tempo perdido nos últimos meses.
O governante alemão admitiu ainda assim que as negociações estão a decorrer num clima mais “construtivo”. Recorde-se que Yanis Varoufakis foi substituído pelo ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros Euclid Tsakalotos nas negociações com o Grupo de Bruxelas, apesar de se manter como líder da equipa.
Thomas Wieser, presidente do Eurogroup Working Group (EWG), que faz o trabalho de preparação para o Eurogrupo e uma das partes com maior envolvimento nas negociações com a Grécia, também disse o mesmo, mas em Nova Iorque. Acordo não deve chegar no próximo Eurogrupo, mas tem de chegar cedo.
O responsável europeu explicou que o acordo tem de chegar no início de junho, porque depois de atingido um acordo político existe um longo processo, como a aprovação nos parlamentos nacionais dos países da União Europeia. O acordo em si, diz, terá sempre de ser muito semelhante ao acordo já existente.
Desacordo entre a troika?
Pouco depois de falar Yanis Varoufakis, foi a vez de o Governo grego passar a mensagem que afinal será o desacordo entre as instituições que estará a atrasar o acordo entre as partes.
Segundo Atenas, o FMI e a Comissão Europeia têm pretensões diferentes nas negociações. O FMI insiste numa revisão abrangente do sistema de pensões e em reduzir a regulação do mercado de trabalho, enquanto a Comissão Europeia insiste na meta do saldo primário.
Este desacordo, segundo o mesmo responsável que pediu para não ser identificado, é profundo e estará a criar um impasse nas negociações.