David Cameron e o borreguinho eleito

Quis o calendário eleitoral que a campanha coincidisse com a Páscoa. A data não passou despercebida pela equipa de David Cameron que, durante uma visita a uma quinta em Oxfordshire, decidiu dar biberão a um borreguinho, recém-nascido e órfão. Até houve um beijinho lá para o meio.

A cena foi mais tarde descrita pelo próprio primeiro-ministro britânico na sua conta de Twitter: “Um intervalo na campanha no domingo de Páscoa, para tentar dar de mamar a um borrego recém-nascido na quinta de Dean Lane, Oxfordshire”.

Antes deste “intervalo” convenientemente acompanhado por uma equipa de jornalistas, Cameron foi à missa. E, ainda a propósito da Páscoa, deixou uma mensagem aos britânicos: “Devemos sentir orgulho ao dizermos que somos um país cristão. Sim, somos um país que aceita todas as fés ou nenhuma, mas continuamos a ser um país cristão”.

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Milibrand: Russel Brand entrevista Ed Miliband

Antes de entrevistar o candidato do Partido Trabalhista, Ed Miliband, Russel Brand fez questão de se descalçar. No momento, Miliband só conseguiu dizer “what?“, sendo que momentos depois deixou um aviso ao seu entrevistador: “Não vou tirar os meus sapatos”. “Nem se atreva!”, respondeu-lhe Russel Brand, que durante a entrevista tomou ainda outra liberdade: volta e meia, dava um gole numa qualquer bebida branca diretamente pela garrafa. Afinal de contas, estava na sua própria casa.

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Há já algum tempo que Russel Brand é mais ativista político do que comediante, profissão que o lançou para as luzes da ribalta. Por isso, a entrevista foi sobretudo uma troca de argumentos entre Russel Brand, o homem que diz nunca ter votado e que não tencionava fazê-lo nestas eleições, e Ed Miliband, o homem que quer ser primeiro-ministro do Reino Unido. No final, Miliband convenceu Brand que, dias após a entrevistas, apelou ao voto nos trabalhistas.

A entrevista deu que falar. David Cameron disse que “Russel Brand é uma piada” e o tablóide “The Sun” fez uma capa com o líder trabalhista a sair da casa do comediante.

A cara de Nigel Farage

O primeiro debate televisivo destas eleições foi divido em quatro temas, sendo que cada um era introduzido por um membro do público que colocava uma pergunta aos sete candidatos ao número 10 de Downing Street. No final de contas, discutiu-se o estado da economia, o futuro do NHS (o serviço nacional de saúde britânico), a União Europeia e a imigração e, por fim, o futuro das gerações mais jovens.

Nigel Farage, líder do partido eurocético UKIP e um dos políticos mais controversos do Reino Unido, arranjou maneira de responder a cada uma das perguntas colocadas pelo público recorrendo às suas duas bandeiras políticas preferidas: a defesa da saída do Reino Unido da UE e o fim da imigração para o seu país. A intervenção que a imprensa mais destacou no dia seguinte foi aquela em que o eurocético disse que, das “7 mil pessoas diagnosticadas com VIH neste país”, “60% não são cidadãos britânicos”. Não tardou a haver quem desmentisse prontamente estes números.

A propósito das intervenções do eurocético, Nicola Sturgeon, candidata dos independentistas escoceses do SNP, desarmou-o com o seguinte comentário: “Uma das coisas que aprendemos é que não há nada em que Nigel Farage não diga que a culpa é dos estrangeiros”. Farage, atrapalhado, disse um circunstancial “well…” e fez esta cara:

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