Reino Unido, Alemanha e Turquia decidiram suspender temporariamente as operações dos seus aviões Airbus A400M, depois da queda no sábado, em Sevilha, do avião militar de carga do mesmo modelo que vitimou quatro pessoas, das seis que iam a bordo. Só a França decidiu continuar a utilizar normalmente a sua frota de Airbus 400M. A aeronave despenhou-se ontem logo após a descolagem, nas proximidades do Aeroporto de San Pablo. Tratava-se de um voo de teste do aparelho e tinha como destino um cliente na Turquia.

“As operações dos aviões britânicos A400M estarão interrompidas durante a investigação sobre o acidente em Sevilha. Os nossos pensamentos estão com as famílias e amigos daqueles que estiveram envolvidos no acidente”, disse um porta-voz da Defesa. A força aérea britânica tem dois aviões de transporte militar A400M, o primeiro dos quais foi entregue em novembro passado, e encomendou um total de 22 aeronaves, que espera receber nos próximos anos.

Mensagem semelhante foi transmitida em comunicado oficial pelas forças armadas alemãs: “Depois do acidente com o A400M perto de Sevilha, decidimos este sábado suspender até nova ordem os testes de voo realizados com o A400M das forças de Defesa alemãs”. No comunicado, citado pela France Press, acrescenta-se ainda que, “desde que foi entregue em dezembro, a máquina tem voado regularmente” mas que “agora esperam-se os resultados às causas do acidente de Sevilha”. “Estamos em contacto constante com a Airbus”, lê-se.

A Turquia, que detém dois Airbus 400M (de um total de 10 aparelhos que constam de um acordo de compra até 2018 assinado entre Ancara e a Airbus), também decidiu suspender a circulação dos dois aviões “por razões de segurança”, de acordo com um responsável pela indústria de defesa turca, citado pela AFP.

Só a França adoptou medidas diferentes, achando não haver provas sólidas para levar a suspender a frota de A400. O Estado francês tem atualmente seis aviões militares deste modelo, sendo que tem outros 50 encomendados – quatro dos quais com previsão para serem entregues ainda este ano. “A nossa aeronave tem uma definição técnica em linha validado pela DGA (Direção Geral de Armamentos) e uma outra validação feita pelos nossos mecânicos. Não temos nenhuma razão, nesta fase, para parar a frota”, explicou à AFP Jean-Pascal Breton, chefe do Serviço de Imprensa e Comunicação da Força Aérea francesa.

A aeronave militar A400M é o maior propulsor do mundo e a sua produção industrial começou em 2011. O projeto desta aeronave militar nasceu em 2003, após o acordo de sete países (Alemanha, França, Espanha, Reino Unido, Turquia, Bélgica e Luxemburgo), que concordaram em comprar 180 unidades.

O programa tinha previsto um investimento inicial de 20 mil milhões de euros, mas foi aumentado em 11 mil milhões pela quantidade de tecnologia que requer este modelo. O primeiro modelo foi entregue a França em 2013, com planos para vender à Turquia, Reino Unido, Alemanha e Malásia. Desde então foram encomendados um total de 50 unidades para França, 53 para a Alemanha, 27 para Espanha e 22 para o Reino Unido.