As exportações aumentaram 8,2% entre fevereiro e abril, um ritmo superior ao registado nos primeiros três meses do ano, mas um crescimento das importações na ordem dos 7,4% voltou a agravar a balança comercial, desta vez em mais 67,2 milhões de euros, para mais de 2,3 mil milhões de euros. As exportações para Angola continuam em forte queda.

De acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), só em abril as exportações de bens cresceram 9,7%, mas em compensação as importações cresceram 16%, em comparação com o mesmo mês de 2014. No mês anterior, as exportações estavam a crescer mais (11,1%) e mais que as importações (10,6%).

Depois de anos a recuperar exportações com vendas para fora da União Europeia, desta vez é o comércio com os países da União que está a dar impulso às exportações portuguesas. Com as exportações para Angola em queda contínua, é o mercado espanhol que assume protagonismo.

No primeiro trimestre do ano, explica o INE, foram as vendas para Espanha que mais contribuíram para o aumento das exportações, seguidas do Reino Unido. A Alemanha surge apenas em quarto.

Por sua vez, os Estados Unidos reclamaram a primeira posição entre os países para os quais Portugal mais exporta fora da União Europeia. Mas com Angola a cair, o resultado é bem menos positivo que o verificado no comércio dentro da União: as exportações cresceram 9,1% dentro da UE e apenas 5,8% para fora.

No que diz respeito às importações a história já é diferente. As importações vindas de fora da União Europeia cresceram 10,4%, enquanto dentro da União apenas 6,5% no trimestre acabado em abril.

Queda do petróleo prejudica vendas para Angola, mas o saldo é positivo

A pronunciada redução do comércio com Angola levou mesmo o INE a fazer uma caixa separada para analisar a situação comercial entre Portugal e Angola.

O resultado é uma evidente redução, uma tendência que já se tem vindo a verificar desde 2013, das vendas de bens para Angola. A pronunciada queda no preço do petróleo tem colocado a economia angolana em sérias dificuldades e o resultado é uma redução expressiva nas compras feitas a Portugal.

Depois de crescimentos expressivos em 2011 (22,3%) e 2012 (28,3%), o aumento das exportações para Angola em 2013 já foi apenas de 4,2% e no ano passado foi ainda menor, apenas 2%. Os números do início deste ano apresentam um cenário bem pior: só no primeiro trimestre, as exportações para Angola caíram 23,6%.

Mas se a queda no preço do petróleo está a fazer cair as vendas, também é verdade que o resultado final em termos de balança comercial não é negativo, antes pelo contrário. Portugal importa petróleo de Angola e com a queda nos preços, o saldo final até é mais positivo em 165,6 milhões de euros, quando comparando com os primeiros três meses do ano passado. No total, o saldo comercial é positivo em 359,4 milhões de euros.

Mesmo com a queda nas exportações, o excedente nas transações comerciais com Angola continua a ser um dos mais importantes na balança comercial portuguesa: o segundo maior no primeiro trimestre deste ano.