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Câmara de Lisboa dá a mão à Fundação Ricardo Espírito Santo

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Instituição cultural perdeu o principal financiador com a queda do Grupo Espírito Santo e tem-se debatido com dificuldades. Câmara celebrou agora protocolo com fundação.

A fundação está situada no Palácio Azurara, junto às Portas do Sol, em Lisboa

© Hugo Amaral/Observador

Autor
  • João Pedro Pincha

A Câmara Municipal de Lisboa vai dar, este ano, 150 mil euros à Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (FRESS), a instituição cultural que até há pouco era apoiada pelo Grupo Espírito Santo (GES) e que, com a queda deste, passou a estar numa delicada situação financeira. A proposta de ajuda à FRESS foi aprovada pelo município na semana passada, apenas com a abstenção dos vereadores do PCP.

Na proposta levada à reunião de câmara, subscrita pelo presidente Fernando Medina e à qual o Observador teve acesso, a autarquia refere-se à FRESS como “um projeto de inquestionável relevância cultural” que foi “inevitavelmente afetado” pela crise do GES.

O protocolo celebrado entre a câmara e a FRESS prevê o pagamento imediato da verba e destina-se principalmente a que a instituição consiga cumprir o programa de atividades previsto até ao fim do ano. Em contrapartida, a fundação compromete-se a 13 alíneas, desde descontos no museu para trabalhadores da câmara, cedência de espaços para eventos da autarquia e atividades para crianças da freguesia onde se situa o edifício da fundação. No documento não está previsto qualquer apoio financeiro para os próximos anos.

É da competência da Câmara Municipal de Lisboa apoiar ou comparticipar, pelos meios adequados, no apoio a atividades que contribuam de forma significativa para a dinamização cultural da cidade de Lisboa”, lê-se no protocolo.

A fundação engloba várias vertentes, que vão desde um museu onde estão expostas vastas coleções das artes decorativas portuguesas (têxteis, faianças, mobiliário e pintura, entre outras) até às oficinas e escolas de conservação e restauro, onde desde 1953 se aprendem técnicas manuais de construção e manutenção daquelas artes. A FRESS, lê-se na proposta camarária, “não só é essencial para a diversificação da oferta cultural e turística da cidade, como desempenha igualmente um papel também ele único na preservação dos saber-fazer tradicionais”.

Em novembro, quando o Observador visitou a fundação, Conceição Amaral, agora presidente do conselho de administração (e à data apenas diretora do museu), dizia que o futuro da FRESS “é uma incógnita”.

Imagine um barco: um barco fantástico, mas que está à deriva. Há uma tempestade enorme, não sabe para onde tem de ir e ninguém lhe diz onde é o porto…”, afirmava na altura.

Agora, porém, a fundação recusou-se a fazer comentários sobre a situação.

Segundo o protocolo, “quer o Conselho de Curadores, quer o Conselho de Administração têm efetuado diversas diligências junto de entidades públicas e privadas (empresas e particulares), no sentido de tentar obter novos apoios, numa tentativa de estabilizar algum financiamento por esta via”. E a fundação tem “desenvolvido um esforço muito relevante na valorização da componente comercial da FRESS (venda de peças manufaturadas e prestação de serviços de conservação e restauro), o qual já deu no primeiro semestre frutos significativos e que invertem a tendência registada nos últimos anos”. A vereadora da Cultura da Câmara de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, integra também o Conselho de Curadores da Fundação.

No fim do ano, a FRESS terá de apresentar à câmara um relatório onde explique como gastou o dinheiro agora obtido e quais os resultados alcançados através do plano de atividades. A autarquia fica também com poder para fiscalizar se e de que forma as cláusulas do protocolo são cumpridas.

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