Presidenciais 2016

O que os candidatos presidenciais querem para a Saúde

A morte de um homem no São José por falta de apoio médico a um fim de semana obrigou os candidatos presidenciais a falar sobre saúde. Não aos cortes, garantem.

Um homem morreu no São José porque, aparentemente, não havia nenhum médico para fazer uma cirurgia urgente ao fim de semana

João Relvas/LUSA

Se já estivessem no Palácio de Belém, os principais candidatos presidenciais não promulgariam nada que envolvesse austeridade no Serviço Nacional de Saúde. É isso que se depreende das declarações que fizeram Marcelo Rebelo de Sousa, António Sampaio da Nóvoa, Maria de Belém Roseira, Edgar Silva e Marisa Matias a propósito da morte de um homem nas urgências do Hospital de São José por não haver médico disponível aos fins de semana para uma cirurgia urgente.

Os candidatos às presidenciais de janeiro foram unânimes no lamento ao ocorrido e também nas críticas aos cortes orçamentais feitos nos últimos anos. “Foi denunciado em seu devido tempo que esta política de austeridade e este ciclo de empobrecimento que estava a ser posto em prática pelo Governo de direita levaria mesmo a muitas vidas que se perderam“, disse este sábado Marisa Matias, candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda.

Também Sampaio da Nóvoa apontou baterias ao Executivo Passos/Portas. “Parece-me evidente que a responsabilidade tem de ser atribuída ao Governo anterior, a grande parte dos processos de degradação do Serviço Nacional de Saúde“, afirmou o candidato numa entrevista à TVI. “Eu fui alertando, muitos de nós fomos alertando ao longo dos últimos anos”, acrescentou, para logo de seguida criticar Marcelo Rebelo de Sousa pelas suas aparentes contradições neste assunto.

Marcelo, que foi dos primeiros a reagir ao tema e até visitou as urgências do São José no sábado, começou por não se referir à austeridade na saúde. “A democracia exige apuramento de responsabilidades. Para que esta morte ou eventualmente as mortes de que se fala tenham um sentido útil: salvar vidas no futuro. Os portugueses e as portuguesas não devem perder a confiança no Serviço Nacional de Saúde”, disse à saída do hospital. Só este domingo, quando Marisa Matias e Sampaio da Nóvoa criticaram o ex-comentador, é que Marcelo falou dos cortes. “O Estado Social é para mim, desde sempre, uma prioridade. Não se esqueça que eu votei a Constituição. Uma das preocupações como constituinte era a construção de um Estado Social. Não se deve cortar em matéria de saúde porque cortar nisso não só é matar o Estado Social como é sobretudo enfraquecer os direitos dos portugueses”, disse o candidato já este domingo.

Antes, Marisa Matias tinha dito que achava “incompreensível que o candidato Marcelo Rebelo de Sousa apoiasse a política do Governo anterior ao mesmo tempo em que o Governo andava a promover estes cortes na saúde”.

O candidato comunista Edgar Silva foi mais longe do que os restantes nas críticas à austeridade, culpando não só o Governo PSD/CDS como todos os que lhe antecederam. “Os Governos até agora têm cortado nas funções sociais, têm desresponsabilizado o Estado, têm-se desresponsabilizado das suas obrigações na defesa do Serviço Nacional de Saúde“, acusou.

A crítica abrange igualmente Maria de Belém, que foi ministra da Saúde de Guterres e que, perante este caso no São José, considerou que “os cortes na saúde não podem ser acríticos”. A candidata presidencial não rejeitou austeridade neste setor, disse apenas que esta tem de ser aplicada “naquilo que não faz falta ou naquilo que está a ser mal gasto”. Nunca em situações de vida ou de morte. “Quando nos entra pela porta dentro uma pessoa em risco de vida, nós não podemos ir ver se há cobertura orçamental, temos de a tratar.”

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