O primeiro-ministro britânico David Cameron e o presidente do Conselho Europeu tiveram um jantar e encontro oficial para negociar as condições exigidas pelo britânico para manter o Reino Unido na União Europeia. No final, o que os dois líderes escreveram nas respetivas contas de Twitter mostra que não há sequer acordo sobre o desacordo.

Na rede social, David Cameron falou de um “bom encontro” com Donald Tusk e que o polaco “aceitou mais 24 horas de negociações” antes de ser publicado o esboço do documento que corresponderá ao manifesto britânico de renegociação da permanência na União Europeia.

Em sentido contrário, Donald Tusk passou uma mensagem muito diferente no seu Twitter, deixando claro que “não há, ainda, um acordo” e que se esperam um “trabalho intenso” nas 24 horas seguintes — um trabalho que será “crucial” na negociação que Cameron está a promover junto dos parceiros europeus pedindo uma revisão das condições associadas à permanência na União Europeia.

Esta renegociação será uma antecâmara para o provável referendo a realizar no Reino Unido e que consultará os britânicos sobre se querem ou não continuar membros da União Europeia. Antes desse referendo, que poderá acontecer ainda em 2016, Cameron quer, contudo, negociar as condições mais vantajosas que for possível, do seu ponto de vista acerca do que é melhor para os cidadãos britânicos.

Financial Times escrevia nesta noite de domingo que há um grande otimismo na comitiva britânica de que será possível chegar a um acordo para um conjunto de medidas com que Cameron possa concordar, isto apesar dos avisos de que Paris não irá aceitar qualquer direito de veto para a City londrina no que toca a medidas relacionadas com futuras alterações da regulação financeira.

As questões associadas à regulação financeira estão entre as mais importantes para Cameron, dada a importância que o setor tem para a economia britânica, mas há outros. Cameron está a pedir, por exemplo, que se restrinjam os apoios para os migrantes europeus o Reino Unido nos próximos sete anos. Em concreto, Cameron quer que qualquer cidadão europeu que vá trabalhar para o Reino Unido nos próximos sete anos terá de esperar quatro anos antes de poder começar a receber apoios sociais públicos.

Segundo o Politico, contudo, Donald Tusk não conseguiu o acordo que, caso tivesse sido possível, o presidente do Conselho Europeu gostaria de apresentar aos líderes europeus já esta segunda-feira.

Nada feito, portanto. A negociação irá decorrer até ao final do dia de segunda-feira, segundo o presidente do Conselho Europeu.