Os coordenadores das diferentes bancadas na Comissão Parlamentar de Ambiente reúnem-se na quinta-feira, de forma extraordinária, para analisarem a situação na central nuclear de Almaraz, em Espanha. O Bloco de Esquerda manifestou apreensão face aos alertas de falhas de segurança na central nuclear de Almaraz e requereu ao Ministério do Ambiente informações sobre uma situação que coloca em risco as águas do rio Tejo. 

No requerimento do Bloco de Esquerda, refere-se que uma inspeção realizada recentemente detetou a ausência de garantias suficientes “para que haja uma expetativa razoável de que os sistemas de refrigeração da central, básico para impedir acidentes, possa atuar em caso de necessidade”.

E adverte-se ainda, no documento do Bloco de Esquerda: “Fontes do Conselho de Segurança Nuclear afirmam mesmo que tais falhas deveriam motivar a paragem imediata do reator ainda em funcionamento. Já em setembro de 2015 e agora em 2016 houve problemas com as bombas de arrefecimento na central nuclear, que aparentemente não foram bem resolvidos.”

Também a deputada do Grupo Parlamentar Os Verdes, Heloísa Apolónia, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que questiona o Governo, através do Ministério do Ambiente, sobre os problemas detetados na Central Nuclear de Almaraz, em Cáceres. Os Verdes relembram que “esta Central já ultrapassou há muito o seu período de vida útil” e que o seu prolongamento “constitui uma ameaça nuclear considerável”. E acrescenta: “Um acidente nuclear na central de Almaraz teria efeitos catastróficos em Portugal, tendo em conta a sua proximidade ao rio Tejo e também o facto de se encontrar a uns escassos 100 km da fronteira portuguesa.”

Outro deputado, mas do PSD, Duarte Marques, também enviou uma pergunta ao Ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, questionando-o “se tem conhecimento destes factos”. Marques afirma que estando a central nuclear em causa situada na comunidade autónoma da Estremadura — “região espanhola que faz fronteira com os distritos de Castelo Branco, Portalegre, Évora e parte de Beja” –, Portugal “não pode estar alheado” deste problema. “Face à dimensão dos problemas é necessário estender a Espanha as exigências de fiscalização, reforçar a coordenação transfronteiriça nesta matéria e exigir às autoridades do país vizinho que cumpram a sua missão de combate à poluição no rio Tejo”, conclui Duarte Marques.