O PCP defendeu esta terça-feira que o adiamento de uma decisão sobre eventuais sanções a Portugal faz parte de um “processo de chantagem” e acusou PSD e CDS-PP de estarem ao lado da Comissão Europeia contra o país.

Em declarações aos jornalistas, no parlamento, o líder parlamentar do PCP enquadrou este adiamento num “processo de chantagem e de pressão sobre o país por parte da Comissão Europeia” e instituições europeias em geral, destinado a “reverter todas as medidas positivas que têm sido tomadas” em Portugal e a “recuperar a política do anterior Governo”.

João Oliveira alegou que, “por isso, talvez não seja de estranhar que o PSD e o CDS-PP acabem por voltar à posição inicial, alterando a crítica que faziam às sanções, novamente colocando-se ao lado da Comissão Europeia, contra o país, contra os portugueses, defendendo que afinal as sanções devem ser aplicadas”.

Segundo o líder parlamentar do PCP, trata-se de um processo dirigido “contra este Governo e contra as medidas que têm sido tomadas na Assembleia da República” e que pretende pôr em causa a tomada de decisões “no exercício da soberania nacional” de Portugal.

“Com esses objetivos, têm vindo a ser desenvolvidas estas operações de chantagem e de pressão sobre o nosso país, em que se integra esta nova decisão de adiamento, que nós rejeitamos, porque consideramos que aquilo que é necessário é defender a soberania nacional”, reforçou.

João Oliveira disse que a possibilidade de aplicação de sanções a Portugal por défice excessivo tem por base a anterior governação PSD/CDS-PP, “que teve resultados que estão à vista”.

O líder parlamentar comunista reafirmou a posição do PCP a favor de “uma perspetiva soberana” que ponha fim à “submissão perante as chantagens e as imposições da União Europeia”.

Esta terça-feira, em Estrasburgo, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, disse que as decisões sobre os procedimentos por défice excessivo (PDE) a Portugal e Espanha serão tomadas “muito em breve”, mas não hoje.

O comissário europeu confirmou que o assunto foi discutido na reunião desta terça-feira do colégio de comissários, mas remeteu mais detalhes para “quando as decisões forem tomadas”.