Artigo atualizado às 16h25 com as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa à SIC.

O Papa Francisco vem a Portugal em maio de 2017, e deverá deslocar-se apenas a Fátima, apesar dos pedidos constantes das restantes dioceses do país para que o líder da Igreja Católica faça uma visita mais alargada. Nem Lisboa fará parte do itinerário, já que o Papa deverá aterrar diretamente na base aérea de Monte Real, no distrito de Leiria, de onde segue diretamente para o Santuário de Fátima. A informação foi avançada à Agência Ecclesia pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, que se reuniu com Francisco este domingo no Vaticano.

Também a Renascença confirma esta informação, citando fontes do Vaticano, e adiantando que a visita do Papa a Portugal poderá nem durar 24 horas. A ideia inicial de Francisco era uma visita muito curta a Fátima, apenas no dia 13 de maio, mas terá sido o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin (que esteve em Fátima no 12 e 13 de outubro), a convencê-lo a chegar a tempo da procissão das velas da noite de 12 de maio. O Sumo Pontífice tem feito o mesmo na maioria dos países europeus que já visitou: não aterrou nas capitais e fez visitas muito curtas, apenas ao destino pretendido.

A D. Manuel Clemente, o Papa Francisco disse que quer “ir a Fátima, só a Fátima, ver a Senhora”. O cardeal-patriarca de Lisboa prefere, contudo, desdramatizar: “Se o Papa não vier a Lisboa, vai Lisboa a Fátima”. O responsável da Igreja Católica em Portugal também confirmou que a visita está a ser preparada sem passagem por Lisboa. “Ouvi falar disso como combinação”, disse D. Manuel Clemente à Ecclesia. Em 1967, a mesma base aérea foi utilizada para a visita do Papa Paulo VI, que também se deslocou apenas a Fátima, para as comemorações dos 50 anos das aparições. “Com certeza que o Papa gosta de Portugal como gosta de todos os povos do mundo, mas ele quer é ir a Fátima, só a Fátima”, concluiu.

A Santa Sé tem recebido pressões tanto do Estado português como das várias dioceses do país para visitar mais locais de Portugal. A primeira diocese a ficar de fora do roteiro foi a de Braga, tal como o Observador noticiou em setembro. Na altura, o bispo auxiliar de Braga, D. Nuno Almeida, garantiu que o Papa lamentava “não poder visitar Braga”, apontando o encontro com os fiéis daquela arquidiocese para Fátima. Depois, foi o bispo auxiliar de Lisboa D. Nuno Brás que, num encontro pessoal com o Francisco, soube que o Papa viria, “mas a Fátima”. É nessa ideia que o Vaticano tem insistido: o Papa não vem visitar Portugal, mas, sim, o Santuário de Fátima, apesar de ter recebido o convite formal do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para visitar o país.

Marcelo. Visita do Papa tem “objetivo espiritual”

O Presidente da República já reagiu à notícia, sublinhando que “a ideia é concentrar a visita e a permanência num objetivo espiritual, não propriamente político, não propriamente de soberania”. Por isso, destaca Marcelo em declarações à SIC, Francisco vem como “supremo representante da Igreja Católica”, o que “não quer dizer que as autoridades portuguesas não o acolham, e que não haja um momento de encontro e de acolhimento”.

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu ainda que o Papa será recebido formalmente na base militar de Monte Real. Depois, “estaremos em Fátima, certamente, o senhor presidente da Assembleia da República, o senhor primeiro-ministro, e o Presidente da República”. Questionado sobre se não preferia receber o Papa em Belém, Marcelo atirou: “Estou muito contente por o receber em Portugal”.