Uma grande mesa, um rolo de madeira e um forno rústico era tudo o que Pietro Barilla tinha nos fundos da sua loja para preparar os pães e a massa fresca com que abastecia as famílias da vizinhança. Corria o ano de 1877 e estávamos na cidade de Parma, Itália. Apesar de pequena, a loja produzia diariamente cerca de 50 quilos de massa. Não era um trabalho fácil, mas Pietro Barilla contava com a ajuda dos filhos Ricardo e Gualtiero. Juntos atravessavam jornadas de 18 horas diárias de dedicação e empenho para fazer o que sabiam produzir melhor.

O esforço não foi em vão e o negócio não tardou em crescer. Em 1891 uma segunda loja foi inaugurada e em 1910 a produção passou de artesanal a industrial. Ali, já sob a orientação da segunda geração da família, com Ricardo e Gualtiero à frente dos negócios, 80 funcionários produziam 8 toneladas diárias de massas. Já não eram só os moradores de Parma os únicos a apreciarem os produtos da família Barilla, estes chegavam a vários pontos do país. E na década de 20 começam a ser dados os primeiros passos com vista à exportação. Os primeiros consumidores internacionais da marca estavam em França e nos Estados Unidos.

A maior fábrica de massas do mundo

Na década de 1950, a terceira geração assume o comando da empresa, desta vez com os filhos de Ricardo. Pietro (neto do primeiro Pietro Barilla) lidera o setor do marketing, e Gianni encarrega-se do desenvolvimento e gestão da companhia. É altura de modernizar a empresa e também de cuidar das embalagens, da imagem e da comunicação da marca.

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As novas embalagens de cartão das massas Barilla fazem sucesso. E a marca ganha uma nova dimensão quando lança as primeiras campanhas publicitárias na TV, com nomes como o ator Giorgio Albertazzi, o escritor Dario Fo (mais tarde Prémio Nobel de Literatura) e os cantores Massimo Ranieri e Mina.

A cantora italiana Mina Mazzini num anúncio de 1967

A maior fábrica de massas do mundo abre as portas em 1969, com uma linha de produção de 120 metros. Pertence à família Barilla e fabrica 1000 toneladas de massas por dia.

Uma sucessão de problemas familiares, no entanto, leva a que, em 1971, a empresa seja comprada pela multinacional americana W.R.Grace. Mas oito anos mais tarde, em 1979, regressa às mãos da família. Pietro Barilla (neto) lidera os negócios. São tempos de instabilidade. Para retomar o foco e recuperar a esperança, a empresa volta-se para o essencial: as origens, a natureza e a tudo o que é mais genuíno.

Uma questão de princípios

A quarta geração da família dá início a um novo capítulo na história da empresa na década de 1990. É a vez de Guido, Luca e Paolo, filhos de Pietro (neto) cuidarem dos negócios. Internacionalização e sustentabilidade são as metas. Entre 1993 e 1995, graças à ajuda de uma campanha publicitária que envolvia realizadores internacionais como David Lynch e Ridley Scott, e personalidades reconhecidas em todo o mundo como Gérard Depardieu e Steffi Graf, a marca cresce em mercados como França e Alemanha. No mesmo período, uma campanha de aquisições de empresas do ramo em mercados como a Turquia, os Estados Unidos, México e França ajudam a impulsionar o crescimento da empresa fora de Itália.

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Vários projetos centrados na cultura gastronómica de Itália bem como na alimentação saudável e na dieta mediterrânica ajudam a disseminar os nobres propósitos da marca. Crescer é preciso, mas mais importante são as pessoas, a sua saúde e o planeta em que vivemos todos e onde crescerão as próximas gerações. Em 2009, a criação da fundação Barilla Center for Food and Nutrition (BCFN) leva a preocupação com a alimentação, saúde e ambiente a uma nova dimensão. Esta organização concentra a sua investigação e projetos de ação em áreas de preocupação global como a fome, a obesidade, o desperdício de comida e a agricultura sustentável.

Hoje, a empresa rege a sua atuação pelo lema “Good for You, Good for the Planet”. Apoia agricultores locais, ajuda-os a desenvolver culturas sustentáveis e a criar animais com a dignidade que merecem. A sua própria produção está cada vez mais amiga do ambiente. Nos últimos cinco anos, a Barilla conseguiu reduzir o seu consumo de água e a emissão de gases de efeito estufa em 21% e 28% respetivamente.

As massas Barilla chegam aos quatro cantos do planeta, assim como os seus projetos de educação para uma alimentação saudável. Ainda hoje a Barilla preocupa-se em não dar menos às famílias que escolhem os seus produtos do que dariam à sua própria família. Exatamente como pensava o patriarca Pietro Barilla, quando trabalhava de sol a sol na sua pequena loja de Parma.