A Guardia Civil deteve esta terça-feira o presidente da Federação Espanhola de Futebol, Ángel María Villar, o seu filho, Gorka Villar, e o vice-presidente da Federação para os assuntos económicos, Juan Padrón, no âmbito de uma operação anticorrupção que, segundo a imprensa espanhola, ainda terá levado a mais detenções. Ángel e Gorka Villar estarão a ser investigados por suspeitas de corrupção, falsificação de documentos, gestão danosa e apropriação de fundos.

Segundo a imprensa espanhola, Ángel Maria Villar e o seu filho, Gorka Villa, estarão a ser investigados por um conjunto de negócios desde 2009 entre a Federação espanhola, liderada por Ángel María Villar há quase 30 anos, e empresas ligadas a Gorka Villar que terão prejudicado financeiramente a Federação, mas beneficiado os dois.

Ángel Maria Villar terá ainda feito negócios que beneficiaram os diretores regionais da Federação, em troca de votos para o ajudar a manter na liderança da Federação. Ángel Villar terá também promovido jogos amigáveis entre a seleção espanhola e outras equipas nacionais para beneficiar o seu filho, que presta assessoria jurídica à Federação. Gorka Villar terá recebido até 30 mil euros por contrato. Um dos jogos sob investigação será o Espanha-Coreia do Sul, em Junho de 2016.

As autoridades também estarão a tentar apurar onde foram gastos 1,2 milhões de euros de financiamento do Estado espanhol, aprovados em 2010, que deveriam ter tido como destino quatro projetos educativos em África e na América Central, projetos esses que acabaram por nunca se realizar.

O dirigente da RFEF permanece na Cidade do Futebol, em Las Rozas, arredores de Madrid, onde decorrem buscar realizadas pela Guardia Civil.

Villar, de 67 anos, que lidera o futebol espanhol há mais de três décadas, e os restantes responsáveis da RFEF são suspeitos de administração desleal, apropriação indevida, corrupção entre particulares, falsificação de documentos e ocultação de bens, crimes relativos à organização de partidas internacionais.

Gorka Villar, advogado de profissão, trabalhou recentemente na Confederação de Futebol da América do Sul (CONMEBOL) como diretor jurídico e posteriormente como adjunto de três presidentes que viriam a estar implicados na investigação levada a cabo pela justiça norte-americana que culminou na queda de Josep Blatter e de responsáveis da FIFA no mundo inteiro.

Ángel María Villar foi reeleito no cargo de presidente da RFEF em maio passado para mais um período de quatro anos, estando já há 29 anos no lugar.

A FIFA afirmou, entretanto, estar à espera de mais dados para se pronunciar acerca da detenção do presidente RFEF, alegando “tratar-se de um assunto interno”. “Uma vez que parece estar relacionado com assuntos internos da Federação Espanhola, esperamos ter mais informações a respeito do caso”, declarou um porta-voz da FIFA.

O presidente do Conselho Superior de Desportos (CSD), José Rámon Lete, disse, por seu turno, que a detenção de Villar demonstra que “o estado de direito funciona”, mas prejudica imagem do desporto espanhol. Lete indicou que a detenção de Ángel María Villar, durante a manhã desta terça-feira, prova que “o estado de direito funciona, as instituições funcionam, que os juízes estão a trabalhar e os corpos e forças de segurança também”. “Vamos ser prudentes e estar expectantes nos próximos movimentos. Os processos são secretos e, portanto, não sabemos nada. Mas atuaremos com toda a contundência da lei”, disse o presidente do CSD.