Para algumas pessoas que ligam apenas ao futebol e pouco mais, torna-se complicado entender todos aqueles que argumentam que as rivalidades, quando existem, vão do desporto-rei à mais pequena das modalidades. Mas este sábado foi exemplo paradigmático disso mesmo: o Benfica-Sporting (ou Sporting-Benfica) em voleibol e em hóquei em patins, que valia nos dois casos a liderança do Campeonato, teve dois jogos de grande qualidade, com pavilhões cheios e emoções ao rubro. Diferente só mesmo os finais… e a diferentes níveis.

Começando pelo voleibol, disputado num pavilhão da Luz quase cheio à exceção da zona reservada para os adeptos visitantes (que jogariam um pouco depois no seu pavilhão, em hóquei em patins), ninguém conseguiria fazer prever que os encarnados, atuais campeões nacionais, poderiam liderar o jogo por 2-0 em sets com vantagens de cinco pontos no terceiro e beneficiar de um match point para acabarem por perder na “negra” por 16-14.

Num encontro bem disputado e ainda sem a presença dos dois últimos reforços leoninos (o colombiano Liberman Agámez, ex-Paykan Tehran VR do Irão, e o americano Garret Muagututia, ex-Tianjin da China), os comandados de José Jardim venceram os dois primeiros sets por 26-24 e 25-19 mas acabaram por desperdiçar o avanço e a bola de jogo no terceiro set, perdendo por 26-24. Com o quarto set a ser dominado pelo Sporting desde o primeiro tempo técnico (25-17), tudo ficou adiado para a “negra”, onde um contra-ataque de Ángel Dennis fez o 16-14 final.

E como acabou? Com os naturais festejos do Sporting, que reforçou a liderança no Campeonato (40 pontos e apenas uma derrota, contra 38 e três desaires do rival), com palmas dos adeptos visitados para o Benfica e o habitual cumprimento na rede entre todos os intervenientes num espírito de completo fair-play, como já tinha acontecido no encontro da primeira volta, a 7 de outubro, marcado pela grave lesão do benfiquista Ary Neto.

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“Hoje podíamos ganhar 3-0 e não o fizemos. A equipa sentiu muito não ter fechado o jogo. A meio do terceiro set fomos nós, com erros não forçados, que levámos a que o adversário se aproximasse”, resumiu José Jardim, técnico dos encarnados. “O foco não seria isso, vínhamos cá sempre para ganhar. Tivemos recentemente o jogo da Taça, onde perdemos e até jogámos muito melhor. Hoje, foi o banco que ganhou o jogo. Os menos utilizados conseguiram ganhar e deram um sinal aos outros da atitude que se deve ter”, destacou Hugo Silva, treinador verde e branco.

Uma hora depois começou o dérbi em hóquei em patins, no Pavilhão João Rocha, em Alvalade. Casa cheia, ambiente verdadeiramente frenético e um duelo que comprovou, mais uma vez, que o Campeonato Nacional nada deve ao de Espanha, considerado durante muitos anos o melhor da Europa. Aqui, e ao contrário do voleibol, com os seus excessos verbais entre claques e um ou outro artefacto pirotécnico à mistura.

O Benfica começou melhor, com Jordi Adroher a adiantar os encarnados (12′), mas Ferrant Font (17′) e Toni Pérez (20′) colocaram os leões a vencerem ao intervalo por 2-1. A meio do segundo tempo, Platero, outra das contratações verde e brancas para esta temporada, aumentou para 3-1 (37′) mas, logo após um livre direto de Font defendido por Pedro Henriques, Nicolia (40′ e 46′) conseguiu restabelecer a igualdade final apesar das oportunidades de lado a lado que se foram sucedendo, incluindo no derradeiro minuto do encontro. Com a igualdade, o Sporting segurou o primeiro lugar com 31 pontos, mais dois do que o Benfica, tendo ainda de jogar até ao final da primeira volta com os outros candidatos ao título, FC Porto (fora) e Oliveirense (casa).

O pior viria depois: quando nada o fazia prever (o jogo foi pautado pela correção, sem qualquer cartão azul ou vermelho e apenas um livre direto por acumulação de faltas), Pedro Gil ter-se-á sentido provocado por Nicolia no lance final e agrediu o argentino do Benfica, iniciando uma confusão que envolveu elementos das duas equipas e que se propagou do rinque para as bancadas e até para o túnel de acesso aos balneários, num ambiente de ânimos muito exaltados que só a muito custo acabaria mais tarde por serenar.

A frio, ambos os treinadores passaram ao lado de toda a confusão que se gerou e destacaram a qualidade do jogo. “O Sporting luta sempre para ganhar. Reagimos a uma adversidade e virámos o jogo. É preciso também dar mérito à equipa do Benfica, porque não jogámos sozinhos, as esta vai ser a matriz, vão ter de contar connosco até ao fim! Queremos estar nos momentos de decisão e é com esta postura e esta qualidade que o vamos fazer”, salientou Paulo Freitas, treinador do Sporting. “Foi um jogo demasiado tático, com períodos alternados de domínio. O Sporting, com muito mérito, aproveitou uma fase em que esteve por cima, mas o Benfica nos últimos momentos foi quem mais aproveitou, principalmente após o Ferran Font ter falhado o livre direto. Foi um excelente jogo, num ambiente fantástico. O Sporting está de parabéns”, frisou Pedro Nunes, técnico do Benfica.