Espanha formalizou hoje a candidatura do seu ministro da Economia, Luis de Guindos, à vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE), lugar atualmente ocupado por Vítor Constâncio e cujo mandato termina a 31 de maio deste ano. A carta com a apresentação do candidato foi entregue esta quarta-feira ao presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, no último dia do prazo para os países da União Europeia proporem nomes.

Apesar dos insistentes pedidos dos parlamentares europeus, nenhum país apresentou a candidatura de uma mulher ao cargo de braço-direito de Draghi. Guindos entra assim na corrida com o irlandês Philip Lane, governador do banco central da Irlanda e dono de um currículo considerado “brilhante”, que lhe dá algum favoritismo em Frankfurt, mas menos em Bruxelas, onde o capital político de Draghi será mais influente. Lane também goza da preferência do presidente do BCE, Mario Draghi, que terá um papel  consultivo no processo de escolha.

A candidatura de Luis de Guindos para nº 2 do BCE já contava com o apoio do governo português, confirmado esta terça-feira durante o encontro de Costa e de Rajoy na Moncloa, em Madrid, de acordo com um porta-voz do primeiro-ministro, citado pelo El Mundo. O jornal destaca mesmo a posição dos socialistas portugueses, que é contrária à do próprio PSOE, reflexo da crispação política que o país vizinho vive atualmente.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, recebeu o seu homólogo português na Moncloa, em Madrid, esta terça-feira. António Costa terá manifestado o apoio do governo português a uma candidatura de Luis de Guindos ao BCE. (PIERRE-PHILIPPE MARCOU/AFP/Getty Images)

O apoio português não é surpreendente. Portugal já se tinha disponibilizado a apoiar Guindos quando o seu nome foi falado para a presidência do Eurogrupo — isto antes de o ministro espanhol ter preferido esperar pelo BCE deixando assim o caminho livre para Mário Centeno que também contou com o apoio espanhol na sua eleição no passado mês de dezembro. António Costa também não esqueceu que Espanha esteve ao lado da candidatura de António Guterres ao cargo de secretário-geral da ONU.

O governo espanhol, de acordo com a imprensa do país vizinho, terá esperado até ao último dia para apresentar o nome de Guindos, até ter a certeza de que teria algumas hipóteses de eleição. Conta o El País que o ministro com a pasta das finanças é o favorito de Bruxelas, mas ainda lhe falta conquistar Bruxelas. De qualquer forma, Draghi não se deverá opor ao nome que for eleito, mesmo que não seja o seu favorito, avança a imprensa espanhola.

O Eurogrupo irá agora avaliar as candidaturas para que, a 19 de fevereiro, possa propor um nome ao Conselho Europeu. No dia seguinte, o Ecofin (uma espécie de conselho de ministros europeus de economia e finanças) irá formalizar a sua decisão para levar às novas reuniões do Conselho Europeu a 22 e 23 de março. Dessa corrida irá assim sair o nome que irá suceder a Vítor Constâncio no lugar de vice-presidente do BCE.