Os ataques das forças do governo sírio provocaram a morte de 98 pessoas, das quais 20 crianças e 14 mulheres, em várias zonas de Ghouta oriental, entre domingo e segunda-feira, de acordo com os dados do Observatório Sírio para os Direitos Humanos. Os bombardeamentos aéreos nos subúrbios de Damasco deixaram ainda 470 pessoas feridas, algumas em estado grave, pelo que o número de vítimas mortais pode aumentar.

Quatro clínicas e hospitais, incluindo um centro de maternidade, foram atingidos pelos bombardeamentos na segunda-feira. Alguns deles foram atingidos mais do que uma vez, tendo ficado fora de serviço. Um médico que exerce naquela zona da Síria disse o seguinte ao jornal The Guardian: “O que é maior terrorismo que matar civis com todos os tipos de armas? Isto é uma guerra? Não é. É chamado massacre”. O diário britânico aponta para mais de 100 o número de vítimas mortais.

Fazendo referência aos massacres dos anos 90 e 80, de Srebrenica e Halabja, Sabra e Chatila, respetivamente, o médico afirmou que “Ghouta oriental é o massacre do século que vivemos agora”. Mas é também casa de cerca de 400 mil pessoas, segundo as Nações Unidas, que estão sob cerco das forças leais ao presidente Bashar al-Assad desde 2013. 

Pelo menos 36 mortos em ataques ao bastião ‘jihadista’ de Goutha oriental na Síria

Só em três meses morreram mais de 700 pessoas, de acordo com as contagens locais — que não incluem ainda os dados da semana passada. Desde 2011 que a crise humanitária tem vindo a aumentar, apesar dos esforços e intervenção do poder tanto a nível regional como global. O regime de Assad, com o apoio de russos e iranianos, está cada vez mais empenhado numa vitória militar ao invés de um consenso político.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Ahmed al-Dbis, um oficial de segurança da União das Organizações Médicas e de Socorro, que administra dezenas de hospitais na zona controlada pela oposição, afirma que esta “é uma catástrofe humanitária em todos os sentidos da palavra”, referindo-se ao número massivo de mortes.