O Ministério das Finanças estará a levar a cabo uma reforma da resposta pediátrica no norte do país — na sequência da polémica à volta da situação na ala pediátrica do hospital de São João, no Porto — sem qualquer intervenção do Ministério da Saúde, escreve esta sexta-feira o Jornal de Notícias.

Segundo aquele jornal, o ministério de Mário Centeno chamou vários administradores de hospitais do Porto para serem questionados sobre os serviços de pediatria — reuniões em que não esteve presente nenhum elemento do Ministério da Saúde ou de qualquer organismo dependente do gabinete de Adalberto Campos Fernandes.

A reforma da resposta pediátrica na região norte poderá incluir a transferência de valências de pediatria do hospital de São João para o Centro Materno Infantil do Norte e para o IPO do Porto — como, aliás, várias fontes já tinham garantido ao Observador ser a solução para o problema da ala pediátrica daquele hospital, a funcionar há cerca de uma década em contentores.

Porque é que o Estado está a falhar na ala pediátrica do Hospital de São João?

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De acordo com o Jornal de Notícias, na última semana foram ouvidos no Ministério das Finanças os administradores do Centro Hospitalar do Porto e do Centro Hospitalar de São João, além dos diretores do IPO do Porto e do Centro Materno-Infantil do Norte, em reuniões orientadas por um técnico do ministério e num processo conduzido pelo secretário de Estado Orçamento, João Leão.

O Ministério da Saúde recusou comentar o assunto, mas a Administração Regional de Saúde disse ao Jornal de Notícias que os dois ministros estão articulados e que até se vão reunir na próxima semana para discutir o assunto.

Ministério das Finanças desmente

Entretanto, o Ministério das Finanças enviou um comunicado aos jornalistas em que repete o mesmo esclarecimento que enviou ao Jornal de Notícias, desmentindo a notícia: “O Ministério das Finanças não comenta reuniões de trabalho que eventualmente possa ter ou ter tido com entidades sob sua direção, tutela, superintendência, sobre as quais exerça a função acionista ou que lhe estejam adstritas, nos termos legais”.

“Ao Ministério das Finanças cabe avaliar o investimento público o que, feito com rigor e responsabilidade, implica um adequado conhecimento das condições em que esse investimento é realizado. Este trabalho é feito sempre em estreita coordenação com as tutelas setoriais. É, pois, falsa a manchete da edição de hoje do Jornal de Notícias“, garante o ministério.