No espaço semanal de comentário na SIC, Luís Marques Mendes, antigo líder do PSD, acusou o vereador lisboeta do Bloco de ser hipócrita e incoerente, por ter posto à venda um prédio por 5,7 milhões de euros (que tinha comprado por 347 mil euros) quando foi eleito para a Câmara por atacar politicamente os especuladores imobiliários. Já a coordenadora do partido Catarina Martins, considerou Marques Mendes, deveria ter-se demarcado imediatamente de Robles, em vez de o defender.

Para o Conselheiro de Estado este “é o pior momento político de Catarina Martins”.

O político não poupou críticas a Robles, que, como divulgou o Jornal Económico esta sexta-feira, comprou em 2014 um prédio por 347 mil euros que pôs à venda por 5,7 milhões. O vereador eleito pelo Bloco de Esquerda é um forte opositor da especulação imobiliária e, por isso, Marques Mendes afirmou: “Diz uma coisa e faz outra”.

O que [Ricardo Robles] fez – comprar uma casa, valorizá-la através de obras e depois tentar vendê-la com grande lucro – é o que faz muito boa gente em Portugal e não tem nenhuma ilegalidade. O problema é o discurso que o vereador tem tido ao longo do tempo: a bota não bate com a perdigota. Porque ao longo dos anos ele tem vindo a criticar fortemente este tipo de operações, considerando que são especulativas e, na versão dele, altamente condenáveis”, criticou Marques Mendes.

Sobre se o caso é motivo para a demissão, como pediu o PSD/Lisboa, disse que “a questão essencial” é que Robles “fica limitado na sua credibilidade”, deixando de ter força para criticar outros investimentos especulativos na cidade de Lisboa.

Por esta situação, o Bloco “sai muito mal” afirma ainda: “Achei a explicação de Catarina Martins deprimente. Veio justificar o injustificável. Se o comportamento destes se passasse com um político de direita criticava”, disse. “É um momento mau para o BE”, terminou.