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Donald Trump

Donald Trump confia em Kim Jong Un, mas não confia nos cientistas

Em entrevista no programa "60 Minutes", do canal CBSNews, Donald Trump reafirma a boa relação com Kim Jong Un. O presidente fala da morte do jornalista, mas não especifica penalizações.

Donald Trump falava numa conferência de emprego depois dos estragos do furacão Michael

SAUL LOEB/AFP/Getty Images

O furacão Michael, a tempestade mais poderosa a entrar nos Estados Unidos continentais nos últimos 25 anos, deu o mote para a entrevista de Donald Trump ao programa “6o Minutes”, do canal CBSNews. A conversa passou pelas alterações climáticas, a boa relação com Kim Jong Un, a má relação com a União Europeia e a morte do jornalista saudita.

O presidente dos Estados Unidos diz que não nega que as alterações climáticas possam acontecer, mas afirma que são reversíveis e que não pode ter a certeza que o homem tenha uma influência no processo. Para Donald Trump, admitir a existência de alterações climáticas provocadas pelo homem, significa perder biliões de dólares e milhões de empregos.

Donald Trump: Dizem que já tivemos furacões muito piores do que o que tivemos agora com o Michael.
Lesley Stahl: Quem diz isso?
Donald Trump: As pessoas.
Lesley Stahl: Mas, e os cientistas que dizem que é o pior de sempre?
Donald Trump: Terá de mostrar-me os cientistas porque eles têm uma grande agenda política.

Aproveitando ainda os temas das atualidade, a jornalista Lesley Stahl, abordou a morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi, alegadamente durante um interrogatório que correu mal. Donald Trump diz que ficaria “muito zangado” se se viesse a confirmar que a ordem para matar o colunista do jornal The Washington Post tivesse sido dada pelo príncipe saudita. Se isto se viesse a verificar Trump diz que “tem de haver uma punição severa”, mas não confirma a imposição de sanções, quando questionado pela jornalista. O presidente prefere dizer que não quer prejudicar as empresas norte-americanas que estão a fornecer equipamento militar à Arábia Saudita, mas que há formas de punir. Sobre que medidas seriam essas, Donald Trump não deu uma resposta clara.

Quando se fala em confiança e relações, nenhuma parece ser melhor que a que tem com Kim Jong Un. “Confio nele. Sim, confio nele. O que não quer dizer que não se venha a mostrar que estou errado.” O presidente norte-americano enaltece o facto de, antes de assumir a presidência, o país estar prestes a entrar em guerra com a Coreia do Norte e agora já não se falar em guerra, e de o presidente norte-coreano se ter comprometido a acabar com as armas nucleares. “Ele não quer entrar em guerra. E nós não queremos entrar em guerra. E ele entende a desnuclearização e concordou com isso.”

Sobre as perguntas da jornalista Lesley Stahl sobre o facto de a Coreia do Norte não estar a cumprir o compromisso — de não se terem livrado de nenhuma arma e de até estar a produzir mais mísseis —, Donald Trump diz que não sabe, mas assume que a jornalistas esteja correta. De qualquer forma reforça que não houve testes nucleares desde aí e que os dois presidentes têm uma relação.

Lesley Stahl: Quero ler-lhe este resumo, ok? Ele [Kim Jong Un] preside um reino cruel de repressão, campos de trabalho, fome. Há relatos de que tenha mandado matar o meio-irmão, de trabalho escravo, execuções públicas.
Donald Trump: Claro. Sei disso tudo. Não sou um bebé.

A jornalista lembrou a Donald Trump que este tinha dito que amava Kim Jong Un. Mais corretamente, o presidente norte-americano disse publicamente o presidente norte-coreano lhe “tinha escrito bonitas cartas” e que se “tinham apaixonado”. “É só uma forma de falar”, diz Trump. A jornalista contesta e acrescenta: “Ele é mau”. Para o presidente norte-americano isso pouco importa, o que importa é que se dão bem. “Tenho uma boa energia com ele. Tenho uma boa química com ele. Olhe para as ameaças horríveis que foram feitas. Não há mais ameaças.”

A relação com o presidente chinês, Xi Jinping, também é vista como boa por Donald Trump, apesar das restrições que o presidente norte-americano tem imposto aos produtos com origem na China. Trump nega estar em guerra com o país asiático. Admite que chegou a falar em batalha, mas minimiza-o para apenas um conflito que vai vencer.

A relação com Vladimir Putin não é tão clara. Donald Trump assume que provavelmente o presidente russo está envolvido nos envenenamentos no Reino Unido, mas não se quer envolver num assunto que não se passou no seu país. E sobre a possibilidade de a Rússia ter influenciado as eleições de 2016, apressa-se a dizer que a China também terá feito alguma coisa. Às acusações da jornalista de não fazer críticas publicamente a Vladimir Putin, Trump responde que tem sido duro com ele.

Penso que tenho sido duro com ele pessoalmente. Tive uma reunião com ele. Nós os dois. Foi uma reunião muito dura e foi uma reunião muito boa.”

“Temos relações maravilhosas com muitas pessoas”, diz Donald Trump. Mas não com a Europa. O presidente norte-americano chega mesmo a questionar o que é um aliado. “Ninguém nos trata pior do que a União Europeia. A União Europeia foi criada para terem vantagens sobre nós no comércio e é isso que tem feito.” Isto não quer dizer que as alianças internacionais vão ser quebradas, até porque o presidente admite “gostar da NATO” (Organização do Tratado do Atlântico Norte), só não aceita que sejam os Estados Unidos a pagar a proteção da Europa. “Estarei sempre lá com a NATO, mas eles têm de pagar o caminho deles.”

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