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Um jornalista saudita entra num consulado do seu país em Istambul e nunca mais ninguém sabe do seu paradeiro. As autoridades do consulado dizem que voltou a sair. A noiva, que estava à porta, garante que não. Onde está? Ninguém consegue responder. No mesmo dia, 15 elementos dos serviços secretos sauditas aterram na Turquia em dois jatos privados. Têm hotel marcado para três noites, mas voltam a sair do país no mesmo dia. O que foram lá fazer? Ninguém sabe. Mais um dado: duas horas e meia depois de o jornalista ter entrado no consultado, as câmaras de vigilância do edifício registam a saída de seis carros com matrícula diplomática, com 15 passageiros a bordo, seguidos de uma carrinha de vidros escuros. Quem eram e para onde foram? E o que transportavam na carrinha? A resposta é igual às anteriores.

Esta é a história real em torno do desaparecimento de Jamal Khashoggi. Há uma semana, o jornalista saudita, crítico das ações do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman (MbS) e alvo de pressões na Arábia Saudita que o levaram a exilar-se nos Estados Unidos, ia apenas pedir um papel ao consulado do seu país em Istambul — mas o pequeno exercício de burocracia tornou-se num risco que lhe pode ter custado a vida.

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