“Alguma vez viu eu e Carlos César em divergência em algum tema essencial? Sinto-me 90% das vezes o porta-voz do pensamento de Carlos César e Carlos César a interpretação qualificada do meu próprio pensamento”. O PS juntou-se aos partidos da direita para aprovar o voto de condenação do PSD e CDS pelos recentes episódios de violência e também de solidariedade para com as forças de segurança. A deputada socialista Isabel Moreira furou a orientação da bancada e absteve-se na votação, ao lado de PCP, Bloco de Esquerda, Verdes e PAN — comunistas e bloquistas anunciaram que vão apresentar declarações de voto sobre este momento.

O texto do voto de condenação escrito por CDS e PSD, e lido no plenário pelo deputado centrista António Carlos Monteiro, “condena todo o tipo de violência”, mas classifica de “inaceitável” a que “é exercida contra agentes de autoridade”.

A questão foi levantada depois dos incidentes no Bairro Jamaica — onde houve agressões entre polícias e moradores — e a onda de violência que se seguiu, com alguns carros ardidos junto de esquadras de polícia das regiões de Lisboa e Setúbal. O tema aqueceu o debate quinzenal desta sexta-feira, que decorreu antes das votações parlamentares.

Durante a semana, a deputada Joana Mortágua, do BE, partilhou no Facebook o vídeo da intervenção policial no bairro da Jamaica, no Seixal, condenando a intervenção da polícia. Carlos César, líder parlamentar do PS, considerou que a posição do BE nesta matéria contribuiu para “acirrar ânimos”. E no debate, António Costa apoiou a condenação do Bloco feita pelo seu líder parlamentar. Quando confrontado por Fernando Negrão com estas declarações, atirou: “Alguma vez viu eu e Carlos César em divergência em algum tema essencial? Sinto-me 90% das vezes o porta-voz do pensamento de Carlos César e Carlos César a interpretação qualificada do meu próprio pensamento”.