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Donald Trump

O muro de Trump teria parado El Chapo? Parece que não

O julgamento de Joaquín Guzmán deu a conhecer algumas estratégias usadas por narcotraficantes para ultrapassarem as fronteiras americanas. Muitas contradizem argumentos de Trump para construir o muro.

Donald Trump na conferência de imprensa em que declarou o "estado de emergência" nacional nos Estados Unidos da América

Alex Wong/Getty Images

Nos últimos anos — praticamente desde que Donald Trump se candidatou à Casa Branca –, muitos argumentos têm sido utilizados para apoiar ou contrariar o desejo do atual Presidente dos Estados Unidos da América de construir um muro que reduza o tráfico de droga e de pessoas ou a imigração ilegal. Sucedem-se dados e teorias do lado democrata, palavras de defesa e ataque do lado republicano, mas ainda não se tinha ouvido nada de quem sabe como contrariar fronteiras ou obstáculos: os narcotraficantes.

Esta semana, durante o julgamento de Joaquín “El Chapo” Guzmán, um dos traficantes de droga mais famosos do mundo, juntou-se esse outro ponto de vista à discussão. E as declarações do mexicano acabaram por dar razão a quem contraria a construção da barreira. Poderia, afinal, o muro de Trump travar “El Chapo”?

Sem certezas, e pegando nas estratégias do narcotraficante mexicano, divulgadas pelo jornal espanhol El País esta segunda-feira, parece que não. Algumas eram já conhecidas, até de alguns filmes ou séries de televisão. Mas, conhecidas ou não, são estratégias simples e cheias em criatividade, fugindo aos radares de qualquer muro ou polícia — mesmo que envolvam o tráfico de dezenas de toneladas de cocaína, heroína ou drogas sintéticas.

El Chapo falou em, pelo menos, quatro:

Esconder as drogas em latas de jalapeños — um pimento mexicano –, transportado-as em camiões comerciais;

Prender as drogas entre paletes e caixas de vegetais, que também eram transportadas em camiões;

Esconder bem as drogas em carros convencionais, de cúmplices que, simplesmente, atravessavam a fronteira;

Transportar as drogas através de túneis secretos, construídos durante anos, e que passavam por baixo dos postos fronteiriços.

Ora o que é que estes pontos — pelo menos os três primeiros — têm em comum? São estratégias realizadas precisamente nos pontos de entrada e controlo das fronteiras, e não no meio deles, em zonas isoladas, locais onde Donald Trump pretende construir o muro e onde acredita existir o principal fluxo de tráfico da fronteira.

Segundo a DEA — Drug Enforcement Administration (órgão federal americano de controlo do narcotráfico) –, de todas as drogas apreendidas em 2018, 90% da heroína, 88% da cocaína, 67% da metanfetamina e 80% do fentanil foram confiscadas nos pontos de controlo e entrada fronteiriça e não na zona entre eles, onde Donald Trump quer construir o muro — e do qual está, agora, mais perto, depois de ter declarado o estado de emergência nacional com o pretexto de uma crise humana na fronteira sul do país.

Com essa declaração, Trump pode ter acesso a verbas suficientes para construir o muro, sem necessitar de aprovação do Congresso. Os democratas, porém, poderão ainda tentar adiar o mais possível a resposta este pedido.

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