Sindicatos

Vice-presidente do sindicato dos camionistas enfrenta queixa-crime por burla

852

Homem que liderou os camionistas durante a greve, e que se substituiu ao próprio presidente do sindicato, tem um passado ligado aos negócios que levou a uma queixa por burla que decorre no DIAP.

O vice-presidente do sindicato na noite da primeira reunião com o Governo e a ANTRAM

MÁRIO CRUZ/LUSA

O vice-presidente do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas, Pedro Pardal Henriques, enfrenta um processo de burla que está a decorrer no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, segundo noticiou o Diário de Notícias. Pedro Pardal Henriques — que foi o interlocutor dos camionistas nas negociações e o escolhido para falar após a primeira reunião moderada pelo Governo — será alvo de um processo de um investidor francês que o acusa de ter ficado indevidamente com 85 mil euros e ainda com outros pequenos montantes pagos por serviços jurídicos nunca prestados.

Os 85 mil euros que são a base da ação judicial, segundo explica o Diário de Notícias, teriam como destino a aquisição de uma propriedade no centro do país. Mas, segundo a queixa, o advogado terá ficado com o dinheiro sem avançar para a compra do terreno. O empresário queixoso, que manteve o seu anonimato, vive entre Portugal e França e tem negócios e plásticos decorativos. O Diário de Notícias conta que o queixoso pagou a Pedro Pardal Henriques 2500 para criar uma empresa, 5 mil para criar uma empresa na zona franca da Madeira, 1400 euros para um NIF português e os tais 85 mil euros para a compra da propriedade, que foram depositados (a pedido do advogado) no Deutsche Bank.

O empresário francês que agora fez a queixa ao DIAP é reformado, vive entre Portugal e em França (Toulon), tem negócios em plásticos decorativos, não achou exagerado quando o advogado lhe pediu 2500 euros para criar uma empresa, mais 500 de registo, ou 5000 para estabelecer uma empresa na zona franca da Madeira. Ou 1400 euros simplesmente para obter um NIF português. Ou ainda quando lhe passou 85 mil euros para uma conta no Deutsche Bank – no dia 3 de junho do ano passado – para a compra de uma propriedade na zona centro. “Esta é uma prática comum, porque as pessoas não têm contas cá e usam as nossas porque o mercado está tão volátil que os negócios podem fugir”, diz um advogado que trabalha no mesmo ramo.

O queixoso terá emails trocados com o advogado, que o Diário de Notícias cita, em que assume a existência da dívida, mas diz que não consegue devolver o dinheiro, uma vez que tem uma conta “congelada pelo Banco de Portugal”.

Perfis jornalísticos feitos sobre Pedro Pardal Henriques — quer pelo Diário de Notícias, quer pelo Expresso — mostram que há detalhes pouco claros no seu percurso profissional e outros factos que causam estranheza. Desde ser vice-presidente de um sindicato de camionistas e nunca ter conduzido um camião até ao facto de ter chegado aos protestos em Aveiras num Maserati preto.

Há outras contradições: Pedro Pardal Henriques é — segundo consta do site da Ordem dos Advogados –advogado desde 2017, mas o seu perfil do LinkedIn diz que é advogado desde 2010.

O Observador tentou contactar Pedro Pardal Henriques através do sindicato, mas, apesar de várias tentativas, não foi possível.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Saúde

Inovação em Saúde: oito tendências e um caminho

Luís Lopes Pereira

Em Portugal já existem terapêuticas alvo de contratos baseados no valor. Mas a difícil e demorada contratação pública e a dependência do Ministério das Finanças têm limitado a autonomia para inovar.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)