O vice-presidente do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas, Pedro Pardal Henriques, enfrenta um processo de burla que está a decorrer no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, segundo noticiou o Diário de Notícias. Pedro Pardal Henriques — que foi o interlocutor dos camionistas nas negociações e o escolhido para falar após a primeira reunião moderada pelo Governo — será alvo de um processo de um investidor francês que o acusa de ter ficado indevidamente com 85 mil euros e ainda com outros pequenos montantes pagos por serviços jurídicos nunca prestados.

Os 85 mil euros que são a base da ação judicial, segundo explica o Diário de Notícias, teriam como destino a aquisição de uma propriedade no centro do país. Mas, segundo a queixa, o advogado terá ficado com o dinheiro sem avançar para a compra do terreno. O empresário queixoso, que manteve o seu anonimato, vive entre Portugal e França e tem negócios e plásticos decorativos. O Diário de Notícias conta que o queixoso pagou a Pedro Pardal Henriques 2500 para criar uma empresa, 5 mil para criar uma empresa na zona franca da Madeira, 1400 euros para um NIF português e os tais 85 mil euros para a compra da propriedade, que foram depositados (a pedido do advogado) no Deutsche Bank.

O empresário francês que agora fez a queixa ao DIAP é reformado, vive entre Portugal e em França (Toulon), tem negócios em plásticos decorativos, não achou exagerado quando o advogado lhe pediu 2500 euros para criar uma empresa, mais 500 de registo, ou 5000 para estabelecer uma empresa na zona franca da Madeira. Ou 1400 euros simplesmente para obter um NIF português. Ou ainda quando lhe passou 85 mil euros para uma conta no Deutsche Bank – no dia 3 de junho do ano passado – para a compra de uma propriedade na zona centro. “Esta é uma prática comum, porque as pessoas não têm contas cá e usam as nossas porque o mercado está tão volátil que os negócios podem fugir”, diz um advogado que trabalha no mesmo ramo.

O queixoso terá emails trocados com o advogado, que o Diário de Notícias cita, em que assume a existência da dívida, mas diz que não consegue devolver o dinheiro, uma vez que tem uma conta “congelada pelo Banco de Portugal”.

Perfis jornalísticos feitos sobre Pedro Pardal Henriques — quer pelo Diário de Notícias, quer pelo Expresso — mostram que há detalhes pouco claros no seu percurso profissional e outros factos que causam estranheza. Desde ser vice-presidente de um sindicato de camionistas e nunca ter conduzido um camião até ao facto de ter chegado aos protestos em Aveiras num Maserati preto.

Há outras contradições: Pedro Pardal Henriques é — segundo consta do site da Ordem dos Advogados –advogado desde 2017, mas o seu perfil do LinkedIn diz que é advogado desde 2010.

O Observador tentou contactar Pedro Pardal Henriques através do sindicato, mas, apesar de várias tentativas, não foi possível.