O diretor artístico do Teatro Nacional São Carlos (TNSC), Patrick Dickie, vai deixar as funções por “não ter condições” para as continuar a exercer. A revelação foi feita em comunicado enviado pelo departamento de comunicação do TNSC à comunicação social.

No texto, a que o Observador teve acesso, lê-se que a ministra da Cultura, Graça Fonseca, terá já sido informada de que o até aqui diretor artístico “não tem condições para equacionar a continuidade naquelas funções”.

Patrick Dickie sublinhou que tem sido “uma honra desempenhar estas funções e trabalhar com todos os colaboradores do TNSC, em particular os extraordinários artistas da Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos”, refere ainda o comunicado.

Na véspera — esta segunda-feira, 24 de junho — tinha sido o presidente do Organismo de Produção Artística (OPArt), que tutela o Teatro Nacional São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado, a apresentar a demissão.

Na causa dos pedidos de demissão, que no caso de Patrick Dickie é uma declaração da falta de condições para renovar o seu mandato como diretor artístico (este, passível de renovação, terminava em agosto de 2019, desejando Patrick Dickie cessar funções nessa data), poderá estar a polémica em torno da greve levada a cabo pelos trabalhadores do Teatro Nacional São Carlos em junho e julho, que originou cancelamento de espetáculos.

A greve decorreu de protestos contra a discrepância salarial e de horário laboral entre os trabalhadores da Companhia Nacional de Bailado e Teatro Nacional São Carlos. Nos últimos dias, registou-se ainda o desabamento de parte da tela do Teatro Camões, onde são apresentados os espetáculos da CNB.

(Atualizado às 19h21 com correção: Patrick Dickie mostrou-se indisponível para renovar o mandato de diretor artístico, mas vai conclui-lo, já que este termina em agosto)