O presidente da Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC), Fernando Nogueira, disse esta segunda-feira estar “completamente desiludido” com a falta de apoio da Direção-Geral das Artes para 2020/2021, referindo que a decisão “prejudica a cultura e arte no Norte”.

“Estou completamente desiludido com esta decisão. O que devo dizer é que quem manda pode. Não sei se é uma decisão técnica ou política. Parece-me ser mais uma decisão política do que técnica, porque a candidatura da fundação estava bem sustentada. É uma decisão que prejudica os interesses da cultura e das artes no norte. Isso é uma constatação mais do que evidente”, afirmou Fernando Nogueira.

Contactado pela agência Lusa, a propósito dos resultados definitivos do Programa de Apoio Sustentado 2020-2021 que esta segunda-feira começaram a ser divulgados pela DGArtes e que excluem a bienal mais antiga da Península Ibérica, o responsável reafirmou ser “estranho que os apoios fiquem circunscritos à região de Lisboa”.

Este concurso foi a prova provada de que Lisboa continua a ter muito força e a sobrepor-se ao resto do país, em todas as áreas e então nas artes é mais do que evidente. O Governo tomou esta posição ou quem decidiu, mas em última instância, como é óbvio, é o Governo que tem responsabilidade pelo que aconteceu”, frisou.

Três entidades culturais, todas da Área Metropolitana de Lisboa, vão receber um total de 550 mil euros de apoio sustentado à criação, na área das Artes Visuais, para 2020-2021.

Os resultados definitivos do Programa de Apoio Sustentado 2020-2021 começaram esta segunda-feira a ser divulgados pela DGArtes e, na área das Artes Visuais, confirmam os resultados provisórios anunciados em 11 de outubro.

Fernando Nogueira, que é também presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, no distrito de Viana do Castelo, garantiu que a bienal irá realizar-se em 2020.

“Haverá, com toda a certeza, bienal de artes no próximo ano. Certamente num modelo mais mitigado, mas tudo faremos para manter a qualidade a que a bienal nos habituou nos últimos anos. Terá de ser a Câmara Municipal a fazer um esforço suplementar. Vamos ter de reduzir na dimensão do evento”, especificou.

A Bienal Internacional de Arte de Cerveira, a mais antiga da Península Ibérica, realiza-se desde 1978. Em 2018, decorreu entre 15 de julho e 16 de setembro, e recebeu cem mil visitantes. A 20.ª edição apresentou mais de 600 obras, de 500 artistas de 35 países em 8.300 metros quadrados, num total de 14 espaços expositivos.

Fernando Nogueira adiantou que irá tentar reunir-se com a “tutela” para “tentar esclarecer os pontos de vista da fundação”, mas “sempre no respeito pelo diálogo e relacionamento institucional correto”.

Na área das Artes Visuais, garantiram apoio as candidaturas de Artes Plásticas da Título Apelativo Associação Cultural, responsável pelo projeto Kunsthalle Lissabon, que vai receber cerca de 129 mil euros, e a Xerem Associação Cultural, que tem o projeto Hangar: Arte, Educação e Investigação, com cerca de 283.500 euros. A terceira entidade a ser contemplada, a CADA, com o projeto CADA 2020-2021, na área dos Novos Media, receberá cerca de 137.500 euros.

Consideradas elegíveis para apoio pelo júri, mas para as quais não há financiamento disponível estão as candidaturas LAC – Laboratório de Actividades Criativas Associação Cultural (Algarve), Artistas de Gaia Cooperativa Cultural (Norte), Fundação Bienal Arte de Cerveira (Norte), Ectopia – Arte Experimental Associação (Área Metropolitana de Lisboa) e Movimento de Expressão Fotográfica – Associação Fotográfica de Carnide (A.M.Lisboa).