As autoridades chinesas colocaram mais uma cidade sob quarentena para conter a propagação do coronavírus. As entradas e saídas de Ezhou, nos arredores de Wuhan, onde o vírus foi originalmente detetado, foram proibidas e as ligações ferroviárias interrompidas por tempo indeterminado. Ezhou é a terceira cidade a ser isolada, depois de Huanggang, a cerca de 65 quilómetros de Wuhan. Numa conferência de imprensa esta quinta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou: “Não se enganem. Esta é uma emergência na China, mas ainda não se tornou uma emergência de saúde global”.

O Comité de Emergência da OMS esteve reunido em Genebra, na Suíça, para analisar a hipótese de se declarar emergência de saúde pública internacional e determinar que recomendações serão feitas para controlar o coronavírus. Contudo, decidiu não fazer de imediato essa declaração e esperar para observar a evolução do vírus.

Nas informações que partilhou no Twitter, além de uma atualização sobre o estado da propagação do vírus, a OMS deixou também indicações sobre como é que é possível reduzir o risco para se contrair a infeção. As recomendações são: “lavar as mãos com sabão e água ou um sabonete à base de álcool”; “cobrir o nariz e a boca ao tossir e espirrar com um lenço ou com o cotovelo dobrado”; “não estar em contacto com ninguém com sintomas de constipação ou gripe”; “cozinhar bastante bem carnes e ovos”; e “evitar contacto não protegido com animais de quinta ou selvagens”.

Um vírus que se pode tornar global

Esta quinta-feira o porta-voz do governo da Escócia, citado pela CNN, avançou que cinco pessoas, e não quatro como tinha sido anteriormente anunciado, estão a ser testadas por suspeitas de estarem infetados com o vírus de Wuhan.

“Após viajarem para Wuhan, na China, duas pessoas confirmadas como diagnosticadas com gripe estão agora a ser testadas para o coronavírus de Wuhan apenas como medida de precaução. Três outras pessoas também estão a ser testadas como precaução”, disse ele.

No entanto, enfatizou que “neste momento não há casos confirmados deste coronavírus na Escócia e o risco para o público escocês permanece baixo”.

O professor Jürgen Haas da Universidade de Edimburgo tinha confirmado horas antes que quatro estudantes chineses no Reino Unido — três em Edimburgo e um na Universidade de Glasgow — estão a ser testados para se saber se estão infetados. A Universidade de Glasgow, na Escócia, tem um programa com a Universidade Zhongnan de Economia e Direito em Wuhan, assim como a Universidade de Edimburgo, como avança o The Guardian. Atualmente, na Escócia, há 23 estudantes de Wuhan, a região que se presume ser a origem do paciente zero do coronavírus.

“Atualmente, temos três casos de suspeita do coronavírus Wuhan em Edimburgo e, pelo que sei, um caso em Glasgow”, tinha avançado Haas. O académico especialista em doenças infecciosas avançou ainda que acredita que mais situações semelhantes vão acontecer em cidades no Reino Unido que tenham estudantes chineses.

A doença já provocou, pelo menos, 18 mortos, avançaram as autoridades chinesas, como conta The New York Times. Destes, sabe-se que 13 eram homens, quatro eram mulheres e 11 tinham mais de 60 anos. A Sky News chegou a confirmar 25 vítimas mortais, corrigindo posteriormente a informação por estar errada e ter sido fruto de um erro de tradução.

De acordo com a DGS, existem ainda 614 casos confirmados em laboratório, sendo que 603 dizem respeito à China. Em Hong Kong, Taiwan, Japão, Coreia do Sul e EUA há um caso confirmado em cada local, e em Macau e Tailândia foram confirmados dois e quatro casos, respetivamente.

“A DGS acompanha a situação e reforça as recomendações previamente emitidas para os viajantes com destino para a cidade de Wuhan e ainda Beijing, Guangdong e Shanghai, na China”, pode ler-se no comunicado.

No México e nas Filipinas há ainda suspeitas de casos da doença. Na Austrália, um homem foi isolado após ter aterrado vindo de Wuhan, mas os testes excluíram que tivesse o vírus, segundo a Deutshe Welle. Já na França, a ministra da Saúde, citada pelo Le Figaro, avançou que foram detetados dois casos suspeitos que acabaram por resultar em testes negativos.

Pequim e Macau estão a tentar controlar propagação do vírus e decidiram cancelar as festividades do Ano Novo chinês, de 25 de janeiro a 8 de fevereiro. “De forma a controlar a epidemia, proteger a vida e saúde das pessoas, reduzir os grandes ajuntamentos e garantir que as pessoas têm um Festival da Primavera harmonioso e pacífico, decidiu-se cancelar todos os eventos de larga escala, incluindo feiras nos tempos, em Pequim a partir de hoje”, anunciou o Departamento de Cultura e Turismo do governo de Pequim, citado pela CNN.

Tanto nesta localidade como em Macau, os transportes públicos foram suspensos e os restaurantes e cinemas encerrados.

O Ano Novo é a principal festa das famílias chinesas. Nesta altura, segundo o Ministério dos Transportes, o país costuma registar cerca de três mil milhões de viagens internas durante um período de 40 dias. Macau, que este ano recebeu 40 milhões de turistas, é um destino muito procurado. O programa das festividades incluía duas sessões da Parada de Celebração do Ano do Rato, um evento comemorativo do Festival da Primavera nas Ruínas de S. Paulo e no Largo do Senado, logo no primeiro dia, sexta-feira, bem como um desfile do dragão gigante dourado.

Identificada segunda pessoa infetada em Macau

Esta quinta-feira, as autoridades de Macau identificaram uma segunda pessoa infetada com o novo tipo de coronavírus, um homem de 66 anos que, à semelhança do primeiro doente, uma mulher de 52 anos, é também oriundo de Wuhan. Atualmente em regime de isolamento, ambos os casos são considerados pacientes de alto risco.

Macau está a recusar nas fronteiras a entrada e saída de pessoas com febre para conter o surto do vírus. Até ao momento, a medição da temperatura corporal estava a ser efetuada à entrada das fronteiras, mas as ordens são agora de se proceder à mesma verificação à saída, uma informação que foi sublinhada esta quinta-feira em duas conferências de imprensa, uma primeira promovida pelo chefe do Governo, e uma segunda, ao final da tarde, prestada pelas autoridades de saúde.

O chefe do governo de Macau disse que o território encomendou 20 milhões de máscaras individuais de proteção no estrangeiro, porque o produto está esgotado nalguns pontos na China. Ho Iat Seng afirmou que esta decisão foi tomada perante a incapacidade de resposta por parte das fábricas chinesas, dando como exemplo a falta de máscaras que se regista em cidades vizinhas na província de Guangdong. Segundo Seng, não há qualquer problema de fornecimento. O responsável garantiu que esta quinta-feira chega o primeiro lote de três milhões da encomenda de 20 milhões.

Em conferência de imprensa, o chefe do Executivo aproveitou ainda para elencar as medidas tomadas pelo novo governo desde que começaram a surgir as primeiras informações sobre o vírus em Wuhan e sublinhou que o território também já acautelou o reforço de máquinas de ventilação de apoio respiratório e de medicamentos.

Caso na Arábia Saudita não se deve ao vírus de Wuhan

O enfermeiro indiano na Arábia Saudita que estaria infetado com o vírus originário da China que está a deixar o mundo em alerta foi diagnosticado com outro tipo de coronavírus, conhecido como MERS-CoV, que foi registado em 2012, informou o Consulado Geral da Índia no Twitter.

O anúncio de que cerca de 100 enfermeiros indianos, a maioria de Kerala, que trabalham no hospital de Al-Hayat “foram testados”, tendo sido confirmado que um deles estava infetado com o vírus tinha sido feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Índia no Twitter. De acordo com Vellamvelly Muraleedharan, este estava a receber tratamento no hospital Aseer e estava a recuperar bem.

OMS diz que coronavírus de Wuhan propaga-se mais rapidamente do que se pensava

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que este tipo de coronavírus se propaga mais rapidamente do que originalmente se julgava. “Estamos pertante a segunda e terceira gerações de contágio”, declarou David Heymann, responsável pelo comité da OMS que está a reunir informação sobre a doença, citado pela CNN.

O mais de meio milhar de casos registados até ao momento têm alimentado receios sobre uma potencial epidemia, semelhante à da pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) que, entre 2002 e 2003, matou 650 pessoas na China continental e em Hong Kong.

Os serviços de saúde chineses estão a acompanhar 5.897 pessoas que tiveram contacto com outras infetadas. Dessas, 4.928 estão sob observação. Em Wuhan, pelo menos 15 médicos foram infetados depois de terem tido contacto com pacientes.

Aeroportos em todo o mundo tomam precauções contra surto

Aeroportos à volta do mundo começaram esta quinta-feira a tomar precauções para lidar com o fluxo de turistas chineses que tiram férias no Ano Novo Lunar, no meio do surto de um novo tipo de coronavírus com origem na China.

As entradas e saídas de Wuhan, a sétima maior cidade da China, com onze milhões de habitantes, e de duas cidades vizinhas, Huanggang e Ezhou, foram proibidas ao longo do dia, por serem o principal foco do vírus, apanhando milhões de pessoas desprevenidas, na véspera do início das férias do Ano Novo Lunar.

O aeroporto internacional do Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o mais movimentado do mundo, anunciou que, seguindo orientações do governo, todos os passageiros que chegarem em voos diretos da China serão triados, por métodos térmicos, no portão de chegada e receberão folhetos informativos.

A filtragem no aeroporto do Dubai, sede da companhia aérea Emirates, será realizada em portões fechado e seguros, por equipas das autoridades sanitárias, de acordo com informações divulgadas pela empresa Aeroportos do Dubai.

Na madrugada desta quinta-feira, oficiais da Cruz Vermelha estavam nas entradas do aeroporto italiano de Fiumicino, em Roma, para lidar com a chegada de um voo que tinha partido de Wuhan, antes do seu encerramento pelas autoridades chinesas.

Os 202 passageiros foram levados para uma área esterilizada, para que lhes fosse medida a temperatura corporal por profissionais de saúde equipados com óculos e máscaras e indumentária sanitária.

Nenhum passageiro foi travado, mas havia ambulâncias de prevenção para transportar eventuais infetados para hospitais, colocados de prevenção para o surto do vírus.

Nos voos de Wuhan com destino aos Estados Unidos, os passageiros foram direcionados para um conjunto de aeroportos — John Kennedy, Nova Iorque, Los Angeles, O’Hare, Chicago, Hartsfield-Jackson, em Atlanta — onde foram colocadas instalações sanitárias para triagem de casos de contaminação.

As autoridades britânicas informaram que os passageiros provenientes da China que aterraram nos aeroportos de Heathrow, em Londres, não estão a ser rastreados, mas recebem folhetos informativos, com instruções para a eventualidade de adoecerem.

Na Alemanha, a operadora do aeroporto de Frankfurt, disse que o governo ainda não forneceu instruções para triagem, pelo que não há ainda restrições, sendo aguardadas para breve.

Na Arábia Saudita, o Ministério da Saúde anunciou que começará a rastrear passageiros de voos oriundos de voos diretos e indiretos da China, e no Bahrein a transportadora Gulf Air disse que tomou “medidas preventivas” para o caso do vírus.

Em África, aeroportos de países como a Nigéria, África do Sul e Quénia também estão a rastrear os passageiros vindos da China, um dos principais parceiros económicos de várias regiões africanas.