Maria Sharapova, uma das tenistas mais reconhecidas do século XXI, decidiu terminar a carreira. De acordo com o New York Times, a atleta russa de 32 anos optou por colocar um ponto final no percurso depois de sofrer várias lesões e atravessar uma suspensão provocada pela utilização de uma substância proibida.

A russa despede-se do ténis internacional com cinco vitórias em Grand Slams: Wimbledon (2004), US Open (2006), Open da Austrália (2008) e ainda Roland Garros (2012 e 2014), o único que ganhou em duas ocasiões. A primeira vitória, no torneio inglês há 16 anos, catapultou-a para a fama mundial: na final e com apenas 17 anos, Sharapova venceu Serena Williams, então já número do ranking WTA e grande responsável pelo facto de a russa nunca ter alcançado tudo aquilo que havia prometido.

Sharapova conquistou o primeiro Grand Slam, Wimbledon, com apenas 17 anos

Apesar do fugaz mas inegável sucesso desportivo, Maria Sharapova tornou-se ainda uma celebridade internacional. A tenista russa é presença habitual nas festas de Hollywood e nos eventos do jetset norte-americano e foi durante 11 anos seguidos a atleta mais bem paga do mundo. Os contratos de publicidade, onde marcas como a Nike e a Evian se destacavam, garantiram-lhe até 2015 cerca de 30 milhões de euros.

No ano seguinte, em 2016, Sharapova acabaria por sofrer o revés que iniciou um processo de derrocada que culminou nesta quarta-feira, como anúncio do final da carreira. A tenista russa foi suspensa por utilizar meldonium, uma substância originalmente fabricada para doentes cardíacos que melhora o fluxo sanguíneo e ajuda no processo de recuperação física dos atletas. Na altura, há quatro anos, Sharapova alegou que usava a substância há uma década devido a uma deficiência de magnésio e ao historial familiar de diabetes e garantiu que não tinha conhecimento de que o meldonium era proibido pela Agência Mundial Anti-Doping. Depois de um recurso, a suspensão acabou por ser reduzida de dois anos para 15 meses, com o painel arbitrário a considerar que Sharapova não se “dopava intencionalmente” sob “quaisquer circunstâncias”.

Depois de regressar — e após sofrer uma resistência inicial por parte de algumas colegas de profissão, que consideravam “injusto” a forma como era tratada mesmo depois da suspensão –, Sharapova teve dificuldades em encontrar novamente o ritmo competitivo e começou a ser fustigada por lesões recorrentes. Caiu para o lugar 373 do ranking, foi eliminada na ronda inicial do Open da Austrália e acabou por recusar o wildcard que iria receber para estar presente em Indian Wells, decidindo então terminar a carreira.

O percurso de Maria Sharapova começou aos seis anos, quando se mudou da Rússia para os Estados Unidos com pai. A viagem, que tinha como única intenção a aposta na carreira desportiva de Sharapova, foi impulsionada e em parte patrocinada por Martina Navratilova, que ficou impressionada com o potencial da jovem russa durante um treino em Moscovo. Aos cinco Grand Slams conquistados, a tenista juntou ainda 36 vitórias em torneios WTA, uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, e a Fed Cup em 2008, com a seleção russa. Chegou ao número 1 do ranking em agosto de 2005, há 15 anos, e manteve-se como melhor tenista do mundo durante 21 semanas.