Título: O Anjo Camponês
Autor: Rui Nunes
Editora: Relógio d’Água

O que é que leva alguém a dificultar propositadamente a compreensão daquilo que quer dizer? Ao ler O Anjo Camponês, e mesmo que não seja este propriamente o assunto do livro, é esta a pergunta que domina a leitura.

Claro que a pergunta poderia estar minada por uma objeção clara e verdadeira: o defeito pode não estar no livro, mas em quem o lê – Rui Nunes pode estar a ser cristalino, embora o nosso cérebro baço não alcance aquilo que ele explica. É um caso comum: num ensaio de resposta a um crítico que comparava o seu hermetismo com o de Kant, Hannah Arendt também dizia que pouco podia acrescentar: se o crítico achava Kant opaco, ela, que o julgava claríssimo, em nada podia ajudar. Pode dar-se o caso, realmente, de Rui Nunes tratar de assuntos complexos e que a complexidade da prova não venha dela mas do assunto; também se pode dar o caso de o assunto nem ser complexo, mas a nossa cabeça não chegar para mais. Não iremos, para já, excluir esta hipótese, de não termos arcaboiço para perceber o assunto ou o estilo; no entanto, mesmo que no caso concreto possa não existir uma complicação propositada, a pergunta pode manter-se: o que é que pode levar alguém a dificultar, de propósito, a vida aos seus leitores?

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