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O empresário que se tornou presidente. O advogado que se tornou presidente. O médico que se tornou presidente. O antigo jogador que se tornou presidente. Não é complicado encontrar casos de elementos que estiveram ligados a um clube das mais distintas formas e que um dia ascenderam à liderança do mesmo. Pape Diouf tinha também a sua história: teve os seus primeiros anos de contacto com o Marselha como jornalista, manteve mais uns anos de contacto com o Marselha como agente de jogadores, um dia chegou mesmo à presidência do Marselha. A figura carismática da formação senegalês morreu esta terça-feira de Covid-19. Tinha 68 anos e foi a primeira vítima do novo coronavírus no Senegal, país que regista um total de 175 casos positivos.

Natural do Chade, filho de pais senegaleses, Diouf chegou a França já com 18 anos, tendo começado carreira num jornal da cidade onde começou a acompanhar as notícias do Marselha, numa altura onde o conjunto que é hoje orientado pelo português André Villas-Boas tentava recuperar o fôlego que lhe tinha valido um bicampeonato no início dos anos 70. A relação mais próxima com alguns jogadores valeria um bilhete para a nova vida profissional fora do jornalismo, quando começou a agenciar atletas. Atletas de renome, acrescente-se.

O guarda-redes camaronês Joseph-Antoine Bell e o central francês Basile Boli, que viria a ser campeão europeu em 1993 (ano em que a equipa seria relegada ao segundo escalão devido a um escândalo de jogos combinados, na altura em que Bernard Tapie liderava o clube), foram dois dos principais jogadores que teve na sua carteira e que lhe valeram uma aproximação ainda maior ao Marselha, que iria mesmo presidir durante quatro anos já no século XXI (de 2005 a 2009) até à entrada de Jean-Claude Dassier, curiosamente também ele jornalista e diretor de informação da TF1 que colheu os frutos do trabalho do antecessor para se sagrar campeão em 2010.

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Pape Diouf esteve alguns dias internado em Dakar já com respiração assistida, tendo a família pedido para que viajasse para o sul de França, onde poderia ter melhores cuidados médicos. De acordo com o Le Monde, Diouf deveria ter partido este sábado para Nice mas o seu estado de saúde piorou, o avião acabou por não sair de Dakar e acabou mesmo por falecer em solo senegalês. O próprio clube, que antes já tinha confirmado que o ex-presidente estava infetado com o novo coronavírus, já veio lamentar a morte, numa notícia avançada pela Ligue de Football Professionnel (LPF), onde esteve também enquanto representante do Marselha.

“Jornalista, agente e presidente do Olympique Marselha entre 2005 e 2009, Pape Diouf dedicou toda a sua vida ao serviço do futebol. Membro da administração da LPF entre setembro de 2007 e junho de 2009, será recordado enquanto dirigente carismático e apaixonado. Neste momento de grande tristeza para o futebol francês, a LPF envia as mais sentidas condolências à família, aos amigos mais próximos e ao Olympique Marselha”, escreveu o órgão sobre aquele que ficou também conhecido por ser o primeiro presidente negro entre os principais clubes.