Elon Musk usa e abusa do Twitter, o que já em 2018 lhe custou 20 milhões de dólares de multa – e outro tanto à Tesla –, pois o sentido de humor não é o forte da Security and Exchange Commission (SEC), que controla a bolsa americana. Mas o CEO da Tesla, que usa esta plataforma até para comunicar e responder a questões dos clientes e fãs da marca, parece não ter aprendido a lição.

Na passada 6ª feira, 1 de Maio, o patrão da Tesla publicou o mais estranho tweet de que há memória num CEO, queixando-se da cotação elevada das acções da empresa que dirige. E logo ele, que acordou um esquema de compensação com a Tesla em que não tem salário, mas sim um prémio milionário caso as acções atinjam valores particularmente elevados.

O mercado reagiu com surpresa e, como é habitual na bolsa, as surpresas pagam-se caras. As acções do fabricante americano mergulharam 13%, se compararmos a cotação no encerramento da véspera, face ao fecho no 1º de Maio, 6ª feira, o dia do tweet, mas apenas 8,1% entre o momento da publicação do comentário do CEO e o final do dia, quando os títulos foram transaccionados a 701 dólares. Isto na mesma semana em que o fabricante anunciou os resultados do primeiro trimestre, com inesperados lucros, o que fez disparar o valor das acções.

Os analistas crucificaram a ligeireza do tweet do CEO, especialmente porque isto acontece depois do SEC impor que todos os tweets que pudessem alterar o valor das acções fossem supervisionados por um comité da Tesla.

Resta agora saber qual vai ser a decisão do SEC, cuja proverbial fúria pode ter sido apaziguada pelo facto de o mercado ter reagido positivamente à abertura na 2ª feira seguinte, dia em que recuperou 8,5%, para hoje, dia 5, estar a valorizar-se mais 2,1%, atingindo 768 dólares, ou seja, seis dólares acima do valor quando foi publicado o tweet de Elon Musk.