A violência na República Democrática do Congo (RDCongo) já fez 1.300 mortos e 500 mil deslocados desde setembro, referiu esta sexta-feira a ONU, alertando para a possibilidade de terem sido cometidos crimes de guerra ou contra humanidade.

“Estou chocada com o aumento dos ataques brutais contra civis inocentes realizados por grupos armados e com a reação da polícia e das forças militares, que também cometeram violações graves, incluindo homicídio e violência sexual”, disse a Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, numa declaração citada pela agência de notícias francesa AFP.

“Não se trata apenas de ações condenáveis, mas também de quebrar a confiança entre as populações e as autoridades civis e militares”, acrescentou a responsável no comunicado, que dá conta de um aumento acentuado do número de vítimas nas últimas semanas, principalmente nas províncias de Ituri, Kivu Norte e Kivu Sul, no nordeste do país, “com repercussões desastrosas para a população civil”.

O comunicado divulgado esta sexta-feira em Genebra reparte as acusações entre os grupos armados e as forças militares, considerando que também as autoridades oficiais foram “responsáveis por graves violações dos direitos humanos nestas províncias e noutras partes do país”.

De acordo com a porta-voz da alta-comissária, mais de 400 mil pessoas foram obrigadas a sair das suas casas só na província do Kivu Norte desde setembro, enquanto outras 110 mil, na sua maioria mulheres e crianças, foram deslocadas entre janeiro e março do Kivu Sul.

Marta Hurtado acrescentou ainda que a partir de março, os movimentos de pessoas aumentaram de forma significativa.

Na região de Ituri, uma província rica em recursos minerais, como ouro, o conflito entre lendu e hema remonta ao final da década de 1990, quando as tropas ugandesas na RDCongo, presentes devido à Segunda Guerra do Congo (1998-2003), decidiram colocar os hema, um grupo minoritário, encarregue da administração de Ituri.

Esta questão étnica deu início ao “conflito de Ituri” que, segundo a ONU, provocou 50 mil mortos.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou na quinta-feira para a escalada de violência na República Democrática do Congo, que faz fronteira com Angola, e apelou às organizações para que intensifiquem a assistência aos deslocados.

Durante o mês passado foram vários os ataques na região. Os mais recentes, atribuídos ao grupo armado Forças Democráticas Aliadas (ADF), apontam para cerca de 40 mortos nas províncias de Kivu Norte e Ituri.