“Um Natal diferente” que vai exigir “muito cuidado”, começou por dizer o primeiro-ministro na sua mensagem de votos de Boas Festas ao Presidente da República. Em confinamento após ter estado em contacto com o Presidente francês, que testou positivo à Covid-19 na semana passada, António Costa dirigiu-se a Marcelo Rebelo de Sousa via videoconferência — num ecrã onde aparecia de corpo inteiro.

Costa aproveitou a sua situação para reforçar as recomendações para a época, lembrando que bastou um almoço com uma pessoa contaminada para ter de ficar 14 dias em isolamento, referindo-se ao almoço que partilhou com Emmanuel Macron.

“Evitemos estar com muitas pessoas em espaços fechados pouco arejados e procuremos estar o máximo de tempo com máscara”, apelou o primeiro-ministro, reconhecendo que esta última “é muito difícil”, porque “a tradição é Natal à mesa e que à mesa não estamos de máscara”.

Em jeito de balanço, o primeiro-ministro recordou o cenário que “nenhum imaginava”, mas enalteceu a “responsabilidade cívica extraordinária” e a “capacidade de resiliência” dos portugueses perante a pandemia e as suas consequências económicas e sociais.

Num ano “em que as instituições foram postas à prova”, o líder do Governo aproveitou ainda para elogiar o trabalho “excecional” de colaboração entre todos os órgãos de soberania. “Neste momento difícil as instituições estiveram à altura das responsabilidades”, sublinhou.

Quanto a 2021, António Costa assegurou que o Governo tem consciência das prioridades dos portugueses para o próximo ano. A primeira passa por “assegurar um processo de vacinação que será longo e demorado” e que se prolongará durante todo o ano, avisa o primeiro-ministro. A segunda insere-se no plano de manutenção dos empregos e do rendimento das empresas, contando “com a solidariedade da União Europeia”.

A Marcelo deixou uma promessa: “Sabe que pode contar, como contou estes quatro anos, com a cooperação leal e franca do Governo até ao dia 9 de março”, data que marca o fim do mandato do Presidente da República. Caso Marcelo não ganhe as eleições presidenciais, Costa garante que “o Governo não muda em função do Presidente ou das circunstâncias”.

Marcelo: “A a justiça, como toda a sociedade portuguesa, teve de se defrontar com várias pandemias”

Já o Presidente da República começou por lembrar o ano atípico dos portugueses que foi vivido em teletrabalho e exigiu mudanças na vida profissional e pessoal, sublinhando que “é simbólico” que António Costa “esteja a falar a partir de uma situação de confinamento imposto pela pandemia, por um contacto pontual, específico e limitado, mas que é partilhado por muitos portugueses”.

“Isto é uma lição, os portugueses sabem que pode acontecer a qualquer um”, disse Marcelo, realçando que “é fundamental que se tenha presente que a vida não acaba no dia 26 de dezembro” e que “aquilo que cada um faz pode determinar a vida dos demais”.

Sobre a cooperação institucional sublinhada pelo primeiro-ministro, Marcelo Rebelo de Sousa vai mais longe, mencionando as amplamente denominadas “reuniões do Infarmed”, que permitiram a convergência de epidemiologistas com os órgãos de soberania, os partidos políticos e os parceiros económicos sociais. O chefe de Estado afirmou não conhecer “nenhum outro país” que tenha adotado “este tipo de procedimento com a mesma periodicidade”, que visou “reforçar a coesão e a determinação dos portugueses”.

Neste “período anómalo da democracia”, os portugueses “souberam entender o fundamental”, o que, segundo o Presidente, “mostra a maturidade da nossa democracia”. A democracia “ficará mais sólida se os portugueses contribuírem para essa solidez na forma como celebrarem o Natal”, reforçou.

O chefe de Estado terminou prometendo partilhar com o primeiro-ministro, até ao final do seu mandato, os desafios que ainda estão pela frente: a pandemia, a crise económica e social, a recuperação e a reconstrução, a luta pela coesão social e a ultrapassagem das desigualdades que se aprofundam nestas situações.