Evan Horetsky – este nome pode pouco ou nada dizer-lhe, porque sempre que se fala de Tesla, fala-se de Elon Musk. Mas Horetsky foi o homem a quem Elon Musk confiou a supervisão da construção das gigafábricas em Reno, no estado norte-americano do Nevada, e em Xangai, na China. Mais recentemente, conforme declarou à Bloomberg, foi até solicitado para controlar o andamento da fábrica europeia da Tesla, em Berlim, na Alemanha, cuja construção tem soluçado ao ritmo de sucessivos obstáculos.

A novidade em torno deste nome (quase desconhecido) é que, agora, Horetsky muda de equipa, pois aceitou o desafio lançado por Christian von Koenigsegg, o fundador da marca de hiperdesportivos que carrega o seu apelido, e passa a ser o responsável por fazer a Koenigsegg saltar das dezenas de unidades produzidas anualmente para os milhares.

Em 2020, a pandemia não facilitou a vida dos construtores e até mesmo os fabricantes de nicho, como é o caso dos suecos, viram a sua já pequena produção anual (cerca de 35 unidades) encolher ainda mais, o que foi agravado pela crise dos chips, com a escassez global de semicondutores a colocar outro travão na produção.

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É certo que Christian von Koenigsegg tem vindo a procurar aumentar o número de unidades entregues ao seus clientes, para mais, tratando-se de compradores que não se importam de desembolsar milhões para ter um supercarro repleto de tecnologia que não se encontra em nenhum outro fabricante. Falamos, por exemplo, do chassi em fibra de carbono com 65.000 Nm por grau de rigidez torcional (mais do que qualquer outro veículo no mundo), das jantes ocas em fibra de carbono, da suspensão triplex (com um terceiro amortecedor), do conversor catalítico “Rocket” ou da Koenigsegg Direct Drive Transmission (KDD), desenvolvida especificamente para o Regera, o que permite prescindir de uma caixa convencional (e do respectivo peso), com a transmissão a accionar directamente o eixo traseiro. E a lista continua…

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Sucede que essa tentativa de incrementar o número de unidades saídas de Ängelholm está a ser lento e, com o novo Gemera a dar o salto das 80 unidades do Regera para 300, Christian von Koenigsegg quer acelerar o passo. Até porque convém não esquecer o Jesko, o targa de duas portas que foi apresentado no Salão de Genebra de 2019 e de que serão produzidas apenas 125 unidades, com a marca a apontar originalmente para uma média de 40 a 50/ano. Junte-se a tudo isto a assumida vontade de lançar um outro modelo mais acessível (face aos restantes) e já projectado para ultrapassar as 1000 unidades e percebe-se que a Koenigsegg pretende entrar numa “guerra” onde já combatem Ferrari, Lamborghini, McLaren, Aston Martin e até a Mercedes-AMG. Para ir à luta, a Koenigsegg tenciona duplicar a área da sua fábrica num horizonte de dois a três anos e expandir a capacidade de produção das actuais dezenas para milhares de unidades.

É nesse plano de industrialização que entra Evan Horetsky, considerado um dos principais responsáveis por a Tesla ter conseguido tão rapidamente incrementar a sua produção e começar a jogar na liga dos “grandes”. Horetsky foi incumbido de mudar drasticamente a dimensão da Koenigsegg, cada vez mais interessada em ampliar o seu portefólio e alargar ainda mais o leque de clientes. Curiosamente, o caminho escolhido para alcançar esse objectivo passa replicar a estratégia da Tesla, optando por um modelo de integração vertical, e recrutando o homem que, de certa forma, foi responsável por fundar os alicerces do crescimento da marca norte-americana de veículos eléctricos.