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A Remote, uma startup com ADN português que criou uma plataforma para gestão de recursos humanos em teletrabalho, angariou 150 milhões de dólares (cerca de 127 milhões de euros) numa ronda de investimento série B. A Remote atingiu assim o “estatuto de unicórnio” (empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares), como divulgou a startup em comunicado, sendo a quinta empresa com ligações a Portugal a alcançar este título.

Apesar de a empresa ter sede em São Francisco, nos EUA, e a startup ter sido aí fundada, a startup conta com talento nacional, tendo como como um dos dois fundadores o português Marcelo Lebre, que é diretor tecnológico da Remote. Esta ronda série B, que, segundo a empresa, foi “a maior em Portugal e uma das maiores da Europa”, foi liderada pelo fundo americano Accel com participação da Sequoia, da Index Ventures, da Two Sigma, da General Catalyst e da Day One Ventures.

Num mundo onde o teletrabalho se torna obrigatório e os trabalhadores podem escolher de onde trabalhar, as empresas viram se para soluções como a Remote para poderem efectivamente contratar o melhor talento a nível mundial, não tendo de se preocupar com questões legais, laborais ou fiscais”, diz a startup.

A Remote foi fundada no início de 2019. Em abril de 2020, Job van der Voort, holandês a viver desde 2011 em Portugal, contou ao Observador que a startups se orgulhava de não ter escritórios físicos e de toda a equipa funcionar em teletrabalho. Na altura, mais de metade da equipa, “cerca de 14 pessoas”, trabalhavam a partir de Portugal. Atualmente, a startup está “presente em 50 países, contando com 300 colaboradores, todos em teletrabalho e distribuídos pelo mundo”.

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Com este financiamento, a Remote tem agora como objetivo “expandir os seus serviços de consultoria para incluir orientação sobre benefícios globais, planeamento de incentivos de capital, suporte para vistos e imigração, relocação de funcionários e muito mais”. “O nosso objetivo é remover as barreiras para contratação internacional, capacitar nossos clientes para escalar e fornecer acesso a oportunidades de trabalho em todo o mundo”, refere Job van der Voort em comunicado.

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As outras startups com estatuto de unicórnio e com ADN português são: a Farfetch, a OutSystems, a Talkdesk e a Feedzai (a única com sede em Portugal). Em março de 2021, a Feedzai, que tem sede em Coimbra, foi a última empresa que tinha alcançado este título de unicórnio depois de ter fechado uma ronda de investimento de 200 milhões de dólares (cerca de 168 milhões de euros).

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