Esta foi uma crise económica atípica. O que a provocou não foram desequilíbrios internos ao funcionamento da economia – como aconteceu, por exemplo, com a crise financeira e a crise das dívidas de há mais de uma década – mas sim decisões dos Estados de “fechar” parcelas substanciais da actividade com o objectivo de tentar travar o avanço da pandemia. Os responsáveis políticos dos vários países tinham consciência dos danos económicos que essas decisões provocariam mas estavam colocados perante um dilema e decidiram, naturalmente, privilegiar o salvamento de vidas humanas.

Naturalmente, a evolução do Produto Interno Bruto – o somatório do que uma economia produz num dado período de tempo – andou desde o início da pandemia ao sabor das decisões de restrição e retoma de actividades – turismo, restauração, livre circulação, comércio, eventos culturais e de entretenimento.

O primeiro grande embate deu-se logo no segundo trimestre de 2020, na sequência do primeiro confinamento. A economia caiu 17,9% nesse período, por comparação com o trimestre homólogo do ano anterior (neste texto usaremos sempre as variações homólogas). Foi uma queda do PIB de uma amplitude inédita, superior a qualquer outra registada na série estatística – como referência, recorde-se que no auge da crise económica durante o período de intervenção da troika a queda trimestral mais acentuada foi de 4,5% no último trimestre de 2012.

A queda do PIB manteve-se durante todo o ano de 2020 e alargou-se ao primeiro trimestre de 2021 – quedas homólogas entre 6,8% e 5,7%. Uma evolução previsível, uma vez que estamos a comprar períodos de pandemia (com maiores ou menores restrições económicas) com outros anteriores ao impacto do Covid.

O ano de 2020 fechou com uma descida anual do produto de 7,6%.

A inversão desta tendência ocorreu no segundo trimestre de 2021. Com a economia em processo de desconfinamento, o PIB recuperou 16,2%.

O perfil de evolução da economia portuguesa foi semelhante ao da média da União Europeia, embora com amplitudes diferentes. Portugal registou uma queda maior mas também uma subida mais ampla.

O PIB é a riqueza que um país consegue criar. Esta riqueza resulta das actividades quotidianas de todos – sejam pessoas, empresas ou outras entidades públicas e privadas – como: o que se produz, o que se compra, o que se investe ou o que se exporta. É calculado trimestralmente pelo INE, é o indicador mais utilizado para medir a dimensão de uma economia e serve de referência às políticas económicas em diversos domínios.

Este artigo faz parte de uma série chamada “Pandemia em Números”, onde se analisa a economia portuguesa na sequência da Covid-19. Trata-se de uma parceria entre o Observador, a Fundação Francisco Manuel dos Santos e a Pordata.

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