Os preparativos da Rússia para ciberataques contra a Ucrânia começaram em março de 2021 e intensificaram-se em 2022, com a mobilização de forças russas para as fronteiras ucranianas e com a eclosão da guerra.

A informação foi avançada na quarta-feira, em relatório, pela Microsoft, que refere que “pouco antes da invasão”, a 24 de fevereiro, foram lançados mais de 237 ataques por hackers filiados à Rússia contra a Ucrânia.

“Quando as tropas russas começaram a movimentar-se em direção à fronteira com a Ucrânia, vimos esforços para obter acesso inicial a alvos que poderiam fornecer dados sobre as parcerias militares e estrangeiras da Ucrânia”, escreveu a Microsoft no relatório.

A gigante tecnológica referiu também que os ataques informáticos lançados de 23 de fevereiro a 8 de abril produziram “um ambiente de informação caótico”. Quase 40 ataques “cibernéticos destrutivos” visaram “centenas de sistemas”, com mais de 40% a ter como alvos instituições públicas, organizações governamentais e ainda uma “grande empresa de rádio e de televisão”.

Para obter acesso aos sistemas da Ucrânia, os piratas informáticos utilizaram técnicas como “phishing, uso de vulnerabilidades não corrigidas e comprometimento de provedores de serviço de TI upstream” que lhes permitiram também obter acesso a informações de militares ucranianos que depois os russos poderiam utilizar.

Um exemplo dado pela Microsoft é uma campanha de phishing realizada pelo grupo de hackers Nobelium contra os que manifestaram apoio internacional à Ucrânia. O grupo de piratas informáticos, que poderá estar ligado à inteligência russa, terá roubado com sucesso dados de organizações políticas ocidentais em 2021 para avaliar como é que a NATO responderia às ações militares da Rússia, noticiou a Bloomberg.

Os ataques informáticos foram acompanhados por “atividades de espionagem e inteligência”, disse a Microsoft. Tom Burt, vice-presidente da tecnológica encarregado de questões de segurança, considerou que os crimes podem estar “altamente correlacionados, e por vezes diretamente calendarizados” com as operações “terrestres do exército russo”. Assim, alguns ataques ocorreram em simultâneo a bombardeamentos e ataques com mísseis.

A Microsoft garantiu estar a trabalhar com empresas privadas e especialistas ucranianos em cibersegurança para combater os crimes, mas alertou que os ataques vão continuar e têm tendência para aumentar, particularmente contra países que apoiam o esforço de guerra da Ucrânia contra a Rússia. “Os ciberataques continuarão a aumentar à medida que o conflito se intensificar”, salientou Tim Burt.