O fundador do grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, garantiu, este domingo, que os seus soldados não assinarão qualquer contrato com o ministro da defesa russo, Sergei Shoigu, noticia a Reuters.
O ministro russo ordenou no sábado a todos os “voluntários destacados” para assinar contratos com a Defesa até ao final do mês, com o objetivo de aumentar a eficácia do exército russo.
“Dará às formações voluntárias o necessário estatuto legal, e permitirá abordagens comuns”, explicou o ministro, acrescentando que os contratos têm de estar assinados até 1 de julho. O Ministério da Defesa russo já indicou que recrutou 13.500 voluntários nos primeiros 10 dias de junho, segundo o ISW, o Instituto para o Estudo da Guerra, um think tank norte-americano que acompanha o conflito desde o início.
The #Russian MoD said on June 10 that it plans to formalize the organization of volunteer formations, a move likely to generate tensions within the MoD’s organizational apparatus given its reliance on volunteer formations for crypto-mobilization efforts. https://t.co/mZr7Go9rqf https://t.co/UrnbjBmz0C pic.twitter.com/dCoMo0Hu47
— Institute for the Study of War (@TheStudyofWar) June 11, 2023
Embora Shoigu não tenha referido o grupo Wagner especificamente, os media russos dão conta de tentativa por parte do ministro para juntar a si o grupo de mercenários. “Os Wagner não vão assinar quaisquer contratos com Shoigu”, afirmou Yevgeny Prigozhin afastando, assim, essa possibilidade, acrescentando que a ordem não se aplica ao grupo Wagner.
A BBC, que aponta o grupo como estando a desempenhar um papel importante na guerra da Ucrânia ao lado das forças russas, avança que Prigozhin tem desafiado o ministro da Defesa, ao que não será alheio as alegadas ambições políticas do chefe do grupo mercenário. Nos últimos meses Prigozhin tem criticado não apenas o ministro da Defesa como também o chefe militar Valery Gerasimov. Segundo a BBC, tem repetidamente acusado ambos de incompetência e de deliberadamente não disponibilizarem ao grupo equipamento militar.