Não é de agora que uma certa plasticidade produzida pelas imagens se transmite através da violência ou através de uma ideia de abismo onde estamos prestes a cair coletivamente. À beira do precipício, somos arrastados pelo medo face ao desconhecido – recorrendo à deixa de H.P. Lovecraft – e transportados para um submundo representado pela escuridão. É precisamente desse estado de coisas que emerge Ink, a nova criação performática do artista visual grego Dimitris Papaioannou. Uma reflexão sobre as diferentes formas de conflito, a ordem e o caos que dialogam entre sim, mas também sobre os tempos turbulentos que vivemos, marcados pelas formas mais nefastas de subjugação. Em estreia nacional, sobe ao palco do Teatro Rivoli, no Porto, nos dias 30 de novembro, 1 e 2 de dezembro.

À partida podemos estar diante de um buraco negro. No cenário, um homem – o próprio Dimitris Papaioannou –, vestido em tons escuros, está sozinho em palco. Ligam-se aspersores de água e tudo se molha. Assim será do princípio ao fim. O performer brinca com a água, com um aquário transparente que gira em palco, mas também se entretém com os contrastes que o bater da água cria nas paredes do palco revestidas de plástico. Tal qual como se jorrasse tinta negra, a água funciona como elemento que separa texturas: não só as evidencia, como as deixa mais visíveis quando expostas ao jogo de luz. Entre os fluxos de água, o homem em palco parece marcado pela sua própria solidão, num universo que se torna aos poucos e poucos também ele aquático e cada vez mais onírico. É aqui que surge, no entanto, um segundo intérprete, o performer Šuka Horn, sem roupas, com quem se inicia uma interação.

[veja aqui imagens de “Ink”:]

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