O cenário era insólito, com a recandidata do PPE à presidência da Comissão Europeia, em plena baixa do Porto, entre bombos na arruada da AD. Ao seu lado, Luís Montenegro e Sebastião Bugalho numa caminhada que desembocou na Praça D. João I e onde Ursula Von der Leyen enfrentou protestos pró-Palestina que interromperam o seu discurso e levaram à intervenção policial. Ainda gritou aos protestantes que tinham “sorte” porque, se fosse em Moscovo, “em dois minutos estavam na cadeia”.

Eram mais de duas dezenas de manifestantes, com a bandeira da Palestina, alguns com as palmas das mãos pintadas de vermelho, outros com cartazes e gritos de ordem a pedir “liberdade” para o povo palestiniano e a acusar a atual presidente da Comissão, gritando palavras de ordem em inglês: “Podes esconder-te, mas não podes esconder que financias o genocídio.” Não é a primeira manifestação do género que Von der Leyen encontra neste périplo eleitoral por alguns Estados-membros, quando tem sido criticada por não referir os ataques israelitas na Faixa de Gaza.

O protesto aconteceu no fundo da Praça, na outra ponta estava o palco do comício da AD onde Ursula ficou calada durante vários minutos até a situação estar controlada pela polícia. Enquanto os apoiantes da AD  tentavam abafar os gritos de protesto com gritos de apoio à coligação, Luís Montenegro, Sebastião Bugalho e Nuno Melo subiram ao palco e colocaram-se ao lado da recandidata à CE apoiada pelo PPE.

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A convidada acabou por retomar a intervenção ainda com os manifestantes a serem levados pela polícia e aproveitou quando estavam a passar à vista de todos para lhes apontar o dedo: “Podem estar contentes de estar aqui num Porto livre e não na Rússia, em Moscovo seria diferente e em dois minutos estariam na cadeia”.

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Ursula falava nesta altura sobre a Ucrânia e sublinhava que  o povo ucraniano “está a lutar pelo seu solo e pela nossa segurança”. Foi aí que se virou para os manifestantes que estavam a ser acompanhados pela polícia: “Têm muita sorte de viver numa democracia, porque aqui temos liberdade de expressão”. Lembrava mesmo a recente comemoração dos 50 anos do 25 de Abril para assinalar esse “vento de mudança” que soprou “nas ruas de Lisboa” e que foi “poderoso e pacífico”.

E ainda acrescentou, mais adiante no seu discurso, que “a democracia está sob ataque, não só de fora mas de dentro, dos extremistas da direita e da esquerda”. Enumerou exemplos, como a AfD na Alemanha, o Rassemblement National em França, para chegar “ao Chega aqui em Portugal”: “Os nomes podem ser todos diferentes mas eles partilham um objetivo: desprezam os nosso valores, querem enfraquecer a União Europeia e o PSD e o PPE nunca vão deixar isso acontecer”, acusou.

Deixou também elogios a Montenegro, considerando que pode estar “muito orgulhoso com o excelente começo do seu Governo e a velocidade a que avança”, e a Sebastião Bugalho. O cabeça de lista tinha acabado de lhe agradecer o que fez por Portugal durante as crises dos últimos cinco anos. E associou-se às linhas vermelhas da presidente da CE: “É para não voltarmos a uma Europa de ódios que seguramos firme as nossas linhas vermelhas”.