Com 15 meses de guerra, foi anunciada a assinatura de um novo acordo de cessar-fogo em Gaza, entre o Hamas e Israel, que terá três fases: a primeira começa já no próximo domingo, dia 19, e irá durar seis semanas.  O acordo começou por ser avançado por fontes com conhecimento dos diálogos aos media israelitas, depois Donald Trump confirmou-o nas redes sociais, mas a confirmação oficial só chegou a partir do Qatar, onde estavam a decorrer as negociações.

Em conferência de imprensa, o primeiro-ministro qatari, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, apresentou vários detalhes sobre a primeira fase deste acordo. Ainda assim, ainda há várias incógnitas, especialmente no que toca às segunda e terceira fases. O Presidente norte-americano, Joe Biden, também interveio e levantou mais o véu sobre o que ficou acordado. Tudo o que já sabe e o que ainda falta saber sobre o cessar-fogo em Gaza.

O que já se sabe

A maior parte dos detalhes anunciados refere-se à primeira fase do cessar-fogo. Esta etapa começa no domingo e deverá durar 42 dias, seis semanas — porém, no final deste período, o cessar-fogo irá manter-se enquanto as partes estiverem envolvidas em negociações, anunciou Biden.

Libertação dos reféns e dos prisioneiros palestinianos

Em seis semanas, o Hamas vai libertar 33 reféns, a um ritmo de três reféns por semana — e os restantes até ao final deste período. Este grupo inclui mulheres (incluindo soldados), crianças, idosos, feridos e doentes. Estão também cidadãos norte-americanos, avançou Washington.

Em troca dos reféns, Israel irá libertar centenas de presos palestinianos: 30 por cada civil que o Hamas liberte e 50 por cada soldado. Ao todo, serão libertados entre 990 e 1650 detidos, com prioridade para as mulheres e crianças detidos desde o 7 de Outubro. Entre estes prisioneiros, estarão pessoas condenadas por penas perpétuas (a Al Jazeera avança que serão cerca de 250), mas nenhuma que tenha estado envolvida no 7 de Outubro.

A libertação de todos os soldados homens e todos os homens em idade de combate que ainda estão reféns em Gaza está prevista para a segunda fase. Na terceira fase, deverão ser devolvidos os corpos que foram levados pelo Hamas e de todos os que morreram em cativeiro.

Ajuda humanitária e regresso dos deslocados

A primeira etapa prevê também a reabertura da passagem de Rafah, na fronteira sul da Faixa de Gaza, com o Egito, para permitir a entrada de ajuda humanitária. Segundo fontes da Reuters, serão 600 camiões de ajuda humanitária, 300 dos quais se vão dirigir ao norte de Gaza. O primeiro-ministro qatari sublinhou a sua utilidade para a “reabilitação dos hospitais, centros de saúde e padarias”.

Além dos camiões, também os deslocados palestinianos poderão regressar às suas casas no norte do enclave. Isto será possível devido à reabertura do corredor de Netzarim, uma faixa de território no centro de Gaza que se estende do Mar Mediterrâneo a Israel, dividindo Gaza a meio.

Retirada das tropas israelitas

À retirada de Netzarim, soma-se a retirada das Forças de Defesa de Israel (IDF) do centro de Gaza e de todas as zonas populosas do enclave. “As forças israelitas serão posicionadas ao longo da fronteira com Gaza, permitindo a troca de prisioneiros e corpos, juntamente com o regresso de pessoas deslocadas para as suas residências”, explicou Mohammed bin Abdulrahman Al Thani. Na prática, as IDF formarão um cordão de segurança no enclave.

A Al Jazeera acrescenta que as IDF também vão começar a retirar do corredor de Filadélfia, no sul de Gaza — uma exigência em que Benjamin Netanyahu se recusou a ceder no passado.

Fim permanente dos combates

Segundo tinha sido avançado pelos media israelitas, o fim permanente dos combates foi a grande discussão em cima da mesa nesta vaga de negociações. Ainda assim, Joe Biden garantiu esta quarta-feira que isto deverá acontecer no final da segunda fase e que esta é a prioridade de todo o acordo de cessar-fogo.

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O que falta saber

A maior parte das incógnitas refere-se à segunda e terceira fase, que serão negociadas à medida que a primeira fase avança, tal como foi anunciado pelo chefe do executivo qatari e pelo Chefe de Estado norte-americano. Os diálogos para a segunda fase deverão começar no 16.º dia da primeira — ou seja, no dia 4 de fevereiro.

Identidades dos reféns e dos prisioneiros

As listas dos 33 reféns e das centenas de prisioneiros palestinianos foram compiladas pelos Hamas e por Telavive e aprovadas por ambas as partes. No entanto, ainda não foram tornadas públicas. Matthew Miller, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, afirmou que estes detalhes seriam revelados “nos próximos dias”. De acordo com a CNN, os dois cidadãos americanos que devem ser libertados nas primeiras seis semanas são Keith Siegel e Sagui Dekel-Chen.

Corredor de Filadélfia

Apesar da informação avançada pela Al Jazeera, ainda não há confirmações oficiais sobre como esta retirada irá acontecer. Sabe-se apenas que no acordo estão previstos “mecanismos de segurança” para este território. O interesse pelo futuro deste território justifica-se com o facto de o Hamas o ter utilizado, no passado, para levar armas para dentro do enclave.

Terceira fase

Se sobre a segunda fase se sabem alguns pormenores — como a libertação dos restantes reféns e o fim permanente dos combates –, a terceira fase é uma incógnita quase total. Não se sabe quanto tempo irá durar ou sequer quando começará a ser negociada. Sabe-se apenas que os corpos dos reféns mortos só serão devolvidos nesta fase.

Também não foi apresentado nenhum plano concreto para a reconstrução material e política de Gaza. O anúncio do plano incluiu referências à colaboração da ONU, dos mediadores (Estados Unidos, Qatar e Egito) e de toda a comunidade internacional. Contudo, não foram apresentados quaisquer detalhes sobre como esta presença será operacionalizada.