Era difícil ter tido uma noite mais bonita. Quando tudo parecia perdido contra o Southampton, Amad Diallo apareceu nos últimos dez minutos e carimbou um hat-trick que garantiu a segunda vitória consecutiva ao Manchester United e a primeira no espaço de um mês na Premier League. Ou seja, quando tudo parecia perdido, o jóquer de Ruben Amorim apareceu para salvar o dia.

Os red devils subiram ao 12.º lugar da Premier League com a vitória da passada quinta-feira, encerraram o tal período de um mês sem qualquer triunfo para o Campeonato e deram continuidade a um aparente período positivo na sequência da eliminação do Arsenal na Taça de Inglaterra. Depois do apito final em Old Trafford e de se ter tornado o mais novo de sempre a fazer um hat-trick pelo Manchester United desde Wayne Rooney, Amad Diallo deixou palavras elogiosas para quem está a tentar dar a volta ao barco: Ruben Amorim.

A estrelinha de Ruben encontrou o brilho de Amad para descobrir o norte: United vence com reviravolta e hat-trick

“Tenho de continuar, tenho de ir para a frente e ser mais agressivo no último terço, ter qualidade para marcar. Quando estou em campo tenho de jogar livremente, por isso, estou muito feliz por tê-lo, porque sei que está aqui para ajudar toda a gente. Toda a gente está a começar a entender o seu sistema, por isso, estamos muito felizes por segui-lo. Vamos estar prontos para o próximo jogo, porque sabemos que é um jogo difícil”, explicou o avançado costa-marfinense, antecipando desde logo a receção deste domingo ao Brighton.

Assim, em Old Trafford, Ruben Amorim trocava Lisandro Martínez por Harry Maguire no trio defensivo, devolvia a titularidade a Diogo Dalot depois de o português ter falhado a última jornada por castigo e colocava Amad Diallo mais subido no terreno e em detrimento de Alejandro Garnacho. Como referência ofensiva, Joshua Zirkzee ocupava o lugar de Højlund. Do outro lado, num Brighton que vinha de duas vitórias seguidas e não perdia há mais de um mês, Fabian Hürzeler tinha João Pedro e o ex-Manchester United Danny Welbeck no ataque.

Num jogo que começou já depois de uma emocionante homenagem a Denis Law, estrela dos red devils que morreu esta sexta-feira, o Brighton não demorou a colocar-se em vantagem. Ainda dentro dos dez minutos iniciais, Yankuba Minteh abriu o marcador depois de um passe de Mitoma e na sequência de uma transição rápida que não deu qualquer hipótese à defesa do Manchester United (5′). A equipa de Ruben Amorim reagiu ao golo sofrido e subiu as linhas, encostando o adversário à própria baliza, e a verdade é que acabou por conseguir empatar ainda dentro da primeira meia-hora.

Carlos Baleba fez falta sobre Zirkzee na área do Brighton e Bruno Fernandes, na conversão da grande penalidade, não falhou (23′). O jogo quebrou depois do empate, com o Brighton a subir novamente no terreno e o Manchester United a arriscar menos, e já nada mudou até ao intervalo — apesar de uma enorme oportunidade de Harry Maguire já nos descontos, com um cabeceamento ao lado depois de um livre cobrado por Bruno Fernandes na direita (45+2′).

Nenhum dos treinadores mexeu ao intervalo e a típica má entrada do Manchester United voltou a concretizar-se, com João Pedro a bater André Onana ainda dentro dos dez minutos iniciais da segunda parte (53′) — contudo, o golo foi anulado por falta de Van Hecke sobre Diogo Dalot, garantindo uma vida extra a Ruben Amorim. Depois da hora de jogo, porém, não existiu VAR que salvasse: Minteh cruzou na direita, Mazraoui deixou Mitoma fugir e o japonês encostou ao segundo poste para colocar mesmo o Brighton a ganhar (60′).

O treinador português reagiu com uma substituição, trocando Kobbie Mainoo e Ugarte por Garnacho e Toby Collyer, provocando o recuar de Bruno Fernandes no terreno para o avançado argentino integrar o tridente ofensivo. À entrada do último quarto de hora, porém, tudo ficou ainda pior. Cruzamento rasteiro de Ayari na direita, Onana tem uma abordagem inexplicável e permite que Georginio Rutter, sem oposição, atire para aumentar a vantagem do Brighton (76′).

Já pouco mudou até ao fim, apesar das entradas de Antony e Højlund, e o Manchester United voltou às derrotas frente ao Brighton em Old Trafford. A equipa de Ruben Amorim voltou a não conseguir dar continuidade a um percurso de vitórias, realizou uma exibição bem inferior à da passada quinta-feira e nunca conseguiu propriamente lutar pelo resultado. O que Amad Diallo, o melhor do onze inicial, aprendeu, André Onana parece ter desaprendido por completo.