As quatro derrotas consecutivas nos últimos quatro jogos de 2024 atiraram o Manchester United para um fosso de onde parecia ser difícil sair. Ruben Amorim foi criticado, os jogadores foram criticados, a estrutura foi criticada — e era cada vez mais difícil não aceitar a ideia de que o treinador português iria ser apenas mais um a desaparecer na enorme máquina trituradora que se tornou o clube inglês. 2025, porém, trouxe esperança.

Aquilo que se adivinhava como uma possível hecatombe, na visita a Anfield, tornou-se num empate simpático contra o Liverpool. E aquilo que se adivinhava uma provável eliminação, na visita ao Emirates, tornou-se numa vitória contra o Arsenal que garantiu o apuramento para a quarta ronda da Taça de Inglaterra. Em poucos dias, o Manchester United parecia ter reencontrado novamente o rumo que chegou a aparecer quando Ruben Amorim substituiu Erik ten Hag. Mas o próprio Ruben Amorim tinha plena noção de que tudo poderia voltar a mudar.

Amorim não parou no vermelho e saiu-lhe a sorte: Man. United elimina Arsenal nos penáltis depois de Dalot ter sido expulso

“Estou sempre preocupado. Estar preocupado é o meu trabalho. Mas temos de enfrentar o Southampton da mesma maneira que enfrentámos o Liverpool e o Arsenal, é esse o objetivo. Nem mais, nem menos, é encarar o jogo. Perceber que todos os jogos são difíceis, mas que as pessoas estão à espera de uma vitória. Isso muda as coisas. Ter pressão para ganhar é o tipo de pressão que queremos ter. Contra o Arsenal e o Liverpool ninguém estava à espera de que conseguíssemos ganhar, mas precisamos de estar preparados para essa pressão. Precisamos dessa pressão, enquanto equipa, e temos de abordar o jogo da maneira certa”, disse o treinador português na antevisão do jogo desta quinta-feira contra o Southampton.

Assim, no primeiro jogo em Old Trafford desde o início do ano, Ruben Amorim fazia duas alterações ao onze inicial que enfrentou o Arsenal — e ambas forçadas, com Diogo Dalot castigado depois de ter sido expulso na Taça e Harry Maguire a ser suplente depois de ter estado em dúvida até ao apito inicial, com Leny Yoro a assumir o lugar do inglês do trio de centrais e Amad Diallo a entrar para o lugar do português. Do outro lado, num Southampton que está afundado no último lugar da Premier League e que soma uma única vitória na temporada, o destaque ia para a titularidade de Mateus Fernandes, médio português que chegou a ser treinado por Amorim no Sporting.

O jogo começou dividido e equilibrado, ainda que fosse possível perceber que o Manchester United tinha muitas dificuldades para conectar setores e chegar com perigo perto da baliza de Aaron Ramsdale. A primeira oportunidade pertenceu mesmo ao Southampton, com Sulemana a deixar Leny Yoro e André Onana a evitar o golo com uma grande defesa (12′), e a verdade é que o momento foi apenas uma amostra daquilo que seria toda a primeira parte.

A equipa de Ivan Jurić foi sempre mais perigosa do que a de Ruben Amorim e Onana voltou a ser decisivo quando, já depois de parar um remate de Mateus Fernandes (15′), fez duas defesas no mesmo lance a um pontapé de Tyler Dibling e à recarga do médio português (28′). Pelo meio, Alejandro Garnacho teve a melhor situação dos red devils ao desviar ao lado, já na área, na sequência de uma boa assistência de Højlund (41′).

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O Manchester United só fez o primeiro remate enquadrado já depois da meia-hora, com Bruno Fernandes a atirar para uma defesa simples de Ramsdale (35′), e o Southampton acabou mesmo por chegar ao golo ainda antes do intervalo. Canto cobrado na esquerda e Manuel Ugarte, ao primeiro poste, acabou por desviar para a própria baliza para fazer autogolo (43′) — no fim da primeira parte, a equipa de Ruben Amorim estava a perder em casa.

O treinador português mexeu no início da segunda parte e trocou Kobbie Mainoo por Antony, que teve uma oportunidade logo nos primeiros instantes que passou em campo. Mas o marcador continuava sem mudar e Ruben Amorim fez mais duas substituições ainda antes de estarem cumpridos dez minutos do segundo tempo, lançando Joshua Zirkzee e Toby Collyer. O Manchester United poderia ter empatado por volta da hora de jogo, com Antony a desperdiçar uma ocasião flagrante quando só precisava de encostar (59′), e as bancadas de Old Trafford começavam a desesperar.

Quando tudo já parecia encaminhar-se para o lado negro, porém, apareceu o jóquer do costume. Amad Diallo recebeu na direita, foi feliz num ressalto e ficou na cara de Ramsdale para atirar rasteiro e empatar o jogo (82′). Sete minutos depois, Amad Diallo combinou com Eriksen e de primeira, novamente só com o guarda-redes pela frente, desviou de primeira para carimbar a reviravolta (90′). Já nos descontos, Amad Diallo aproveitou o desnorte da defesa adversária e assinou o hat-trick (90+4′).

O Manchester United venceu o Southampton em Old Trafford com direito a reviravolta e hat-trick e voltou às vitórias na Premier League um mês depois, carimbando o segundo triunfo consecutivo depois de eliminar o Arsenal na Taça de Inglaterra e subindo ao 12.º lugar da classificação.