As tropas norte-coreanas que se juntaram ao esforço de guerra da Rússia já não são avistadas na frente de batalha há duas semanas. Este contingente, composto inicialmente por cerca de 11.ooo soldados, já estará reduzido em metade, após terem sido sofridas muitas baixas no terreno.

Fontes norte-americanas e ucranianas, consultadas pelo jornal norte-americano The New York Times, afirmam que nas duas últimas semanas não viram os soldados norte-coreanos. Em reação à notícia publicada esta sexta-feira, o coronel Oleksandr Kindratenko, porta-voz de um grupo militar de operações especiais ucranianas, que tem unidades em vários pontos na frente de Kursk, afirma mesmo que os membros desta força não avista as tropas norte-coreanas há quase três semanas.

“Isto são medidas padrão: rotação devido a grandes números de baixas“, disse uma fonte do The Kyiv Independent. Outros especialistas em guerra, entrevistados pelo jornal ucraniano, afirmaram que o elevado número de baixas dos soldados norte-coreanos é o resultado da pouca familiaridade destes com métodos modernos de guerra e da sua propensão para evitar a captura pelos ucranianos, mesmo se isso significar sacrificarem a própria vida.

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As tropas ucranianas que enfrentaram os soldados norte-coreanos descreveram-nos, ao The New York Times, como soldados ferozes e corajosos, mas a desorganização e falta de coesão com os soldados russos tem levado à morte muitos desses norte-coreanos. Vários destes últimos são dos elementos das forças especiais mais bem treinadas do país. Contudo, a Rússia têm-nos utilizados em ataques de infantaria quase sem qualquer cobertura.

Numa altura em que os especialistas acreditam que, apesar dos avanços russos, a recuperação total deste território não está para breve, a decisão de retirar as tropas norte-coreanas da linha da frente não deverá ser permanente. As fontes norte-americanas ouvidas pelo jornal norte-americano estimam que estes soldados podem estar afastados para receber treino dos oficiais russos ou a esperar para que estes encontrem formas de os utilizarem mais eficazmente na guerra.

Nos últimos três meses o número de soldados norte-coreanos envolvidos no conflito — 11 mil, de acordo com notícias de novembro — terá descido para cerca de metade, disse esta semana o general ucraniano Oleksandr Syrsky, comandante das forças armadas ao serviço de Kiev.