Depois de uma década sem mortes por sarampo, os EUA somam três em menos de dois meses. Uma menina de oito anos morreu esta quinta-feira, vítima de sarampo, num hospital de Lubbock, no Texas — o mesmo local onde já tinha sido registada outra morte de um menor, no final de fevereiro. No Novo México, a 6 de março, foi revelada uma morte relacionada com sarampo num adulto. Nenhuma das duas crianças estava vacinada contra a doença. O secretário da Saúde Robert F. Kennedy, criticado pela sua postura anti-vacinação, apelou à vacinação e anunciou que vai marcar presença no funeral.
A criança morreu na manhã de quinta-feira com um “falência pulmonar”, segundo os registos hospitalares citados pelo New York Times este domingo. Um porta-voz do hospital confirmou a morte ao canal ABC News e adiantou que a menina estava internada e a receber tratamento.
“É importante notar que a criança não estava vacinada contra o sarampo e não tinha qualquer condição de saúde conhecida”, acrescentou o hospital — um quadro semelhante ao da outra menina, de seis anos, que morreu com a doença na mesma região.
Pela primeira vez numa década, morreu uma criança com sarampo nos EUA. Não estava vacinada
O surto de sarampo, detetado no final de janeiro, é o pior registado no Texas nos últimos 30 anos e acumula já 499 casos confirmados, 56 dos quais estão internados. O vírus também alastrou aos estados vizinhos: no Novo México, registaram-se 54 casos e no Oklahoma, 10. Um adulto também morreu no Novo México. Contudo, apesar de ter testado positivo para sarampo e não estar vacinado, a doença não foi confirmada como causa da morte.
A nível nacional, os Estados Unidos registavam, na passada sexta-feira, 607 casos em 21 estados — um aumento em 124 casos em relação aos números da semana anterior. Entre as pessoas infetadas, 97% não estão vacinadas ou não se conhece o seu estado de vacinação, detalhou ainda o Centro para Prevenção e Controlo de Doenças (CDC). Segundo as informação atualizadas por Kennedy este domingo, em dois dias, o número de casos chegou aos 642 em 22 estados.
O sarampo está erradicado nos EUA desde 2000. Contudo, se este surto se prolongar por mais de um ano, a doença passará a estar classificada como ativa. As autoridades texanas preveem que, à velocidade a que a doença se está a multiplica, o surto ainda poderá estar ativo daqui a um ano, destaca o New York Times. Segundo números do CDC, o sarampo mata uma ou duas crianças em cada mil infetadas.
Casos importados e desinformação sobre vacinas. Portugal corre risco de surtos de sarampo?
Médicos e especialistas de saúde, ouvidos pelo jornal, criticam a forma como o secretário da Saúde, Robert F. Kennedy, está a lidar com o surto. Kennedy, um negacionista da vacinação, recomendou que doença seja combatida com recurso a tratamentos alternativos como óleo de fígado de bacalhau. Esta recomendação faz com que as pessoas adiem a procura de cuidados médicos profissionais, até a doença evoluir para um quadro clínico mais sério, acusam os profissionais de saúde.
Apesar das críticas, Kennedy deslocou-se ao Texas para “consolar as famílias” das duas crianças e as suas comunidades e tomou uma posição diferente. “A forma mais eficaz de prevenir a propagação do sarampo é com a vacina MMR [que previnem o sarampo, rubéola e papeira]”, escreveu o secretário no X, na mesma publicação em que anunciou que ia estar no funeral da criança. Kennedy reuniu-se com o governador do Texas e anunciou ainda o envio de mais equipas do CDC, mais medicamentos e vacinas para fazer frente ao surto.
I came to Gaines County, Texas, today to comfort the Hildebrand family after the loss of their 8-year-old daughter Daisy. I got to know the family of 6-year-old Kayley Fehr after she passed away in February. I also developed bonds with and deep affection for other members of…
— Secretary Kennedy (@SecKennedy) April 6, 2025
Notícia atualizada às 22h15 com as declarações do secretário da Saúde norte-americano