A Fundação JMJ, entidade da Igreja Católica que organizou a Jornada Mundial da Juventude de 2023, em Lisboa, aponta para o final deste ano o arranque das iniciativas de apoio financeiro a projetos de juventude em Portugal, revelou esta quarta-feira ao Observador Alexandre Palma, bispo-auxiliar de Lisboa e presidente da fundação, que diz ainda esperar que os primeiros concursos sejam lançados em setembro/outubro e que os primeiros fundos possam chegar aos seus destinatários no início de 2026.

No verão passado, o responsável da instituição tinha explicado ao Observador que a Fundação JMJ iria continuar no ativo com o objetivo de colocar a render os lucros do evento e apoiar anualmente projetos institucionais, empreendimentos públicos e iniciativas independentes — desde que relacionados com a juventude.

Fundação JMJ quer seguir modelo Gulbenkian e canalizar meio milhão por ano para iniciativas para jovens

O evento, que decorreu na capital portuguesa em agosto de 2023 e contou com a presença do Papa Francisco e de cerca de 1,5 milhões de jovens de todo o mundo, deu à Igreja Católica um lucro de 35 milhões de euros. O anterior presidente da Fundação JMJ, o cardeal Américo Aguiar, tinha prometido que os fundos resultantes seriam colocados ao serviço de projetos destinados a apoiar os jovens portugueses.

Em setembro de 2024, o sucessor de Américo Aguiar no cargo, Alexandre Palma, destacou que a fundação optou por seguir um modelo semelhante ao de fundações como a Gulbenkian ou a Champalimaud: o fundo composto pelos 35 milhões de euros será colocado a render, de modo a que os proveitos desse rendimento possam ser usados anualmente, durante vários anos, para distribuir por projetos de promoção da infância e da juventude, através de concursos próprios para o efeito. Alexandre Palma disse ainda que o objetivo da fundação seria distribuir mais de 500 mil euros por ano.

O propósito da fundação, afirmou ainda Alexandre Palma, é “capitalizar o bem da JMJ pelos próximos tempos e pelas próximas gerações”. Essa missão justifica, explicou, a opção pela criação de um fundo que possa gerar rendimentos anuais durante décadas — em vez da aplicação imediata da totalidade do valor num único projeto.

Jornada Mundial da Juventude. Lucros da Fundação JMJ foram de 31,4 milhões de euros em 2023 (35 milhões no total), superando as previsões

O teólogo Alexandre Palma, que foi nomeado bispo-auxiliar de Lisboa no ano passado, disse na ocasião que, passada a fase da organização do mega-evento de 2023, a Fundação JMJ pretendia agora funcionar como “uma espécie de sponsor“, apoiando “gente que esteja no terreno” a trabalhar com os jovens, de modo a “empoderar instituições, projetos, coisas mais macro ou mais micro”.

“Acreditamos que este dinheiro é dos jovens”, afirmou. “Queremos ver o que já existe de apoios à infância e à juventude a sociedade, para vermos se o nosso apoio não é melhor aplicado a áreas que não estejam cobertas”, acrescentou, revelando até que já tinham sido recebido contactos de “entidades públicas e autarquias locais” para pedirem apoio a projetos de juventude, como residências de estudantes ou projetos sociais.

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“Mas não queremos ficar apenas com as autoridades públicas. Queremos ser interlocutores da sociedade civil, apoiar projetos mais particulares, de pequena escala”, destacou.

Alexandre Palma detalhou ainda que uma das principais vias de financiamento de projetos de “empoderamento dos jovens” passaria pela abertura de “uma call para apoios a projetos”, devendo ser criadas “plataformas de candidaturas a fundos” e estabelecidos regulamentos para a atribuição dos fundos.

Agora, o bispo-auxiliar de Lisboa explica ao Observador que a operação está a ser montada e, apesar de estar a demorar mais do que inicialmente previsto, a ideia é que um primeiro concurso para apoios a projetos de jovens ou focados nos jovens esteja no terreno no último trimestre deste ano — para que os fundos possam chegar aos destinatários no início do ano seguinte.