Acompanhe aqui o nosso artigo em direto sobre a morte do Papa Francisco.

No Santuário de Fátima, onde o Papa Francisco, que esta segunda-feira morreu, esteve por duas vezes, vários peregrinos elogiaram o líder da Igreja Católica, cujas portas abriu a todos, e destacaram ainda os seus apelos à paz.

“Ele abriu as portas da Igreja a todas as pessoas”, afirmou a irlandesa Chenise, de 31 anos, que a Lusa encontrou com a família junto ao altar do recinto de oração.

Morreu Francisco, o Papa que queria uma Igreja para “todos, todos, todos”

Em Fátima para passar a Páscoa, a peregrina reconheceu, também, que Francisco foi “um Papa para todos”.

Recordando os sucessivos apelos do Papa à paz, sobretudo na Ucrânia ou no Médio Oriente, Chemise lamentou, contudo, que ninguém os tenha ouvido.

“Tenho esperança de que ainda os oiçam”, adiantou.

A caminho de Fátima, foi no rádio do carro que Sandra Lima, de 46 anos, de Braga, e a família ouviram a notícia da morte de Francisco.

“Andávamos há algum tempo para vir cá e coincidência ou não…”, disse Sandra Lima, recordando a mensagem de Francisco dirigida particularmente aos jovens.

Depois, elencou outras qualidades de Francisco, como a “humildade, o exemplo, a simplicidade”.

Francisco, o Papa que reformou a Igreja

“É tocante”, referiu, antecipando que o Papa “vai deixar saudades, muitas”.

Também do Norte, onde passou a Páscoa, e em trânsito para Lisboa, Patrícia Proença, de 33 anos, acompanhada pela família, lembrou a Jornada Mundial da Juventude, em 2023, para descrever Francisco como um “Papa do povo, muito empático com o povo”.

“Acho que é uma opinião generalizada, muito justa”, comentou.

Para o sucessor de Francisco, Patrícia Proença deseja que continue “a passar uma mensagem de paz e de esperança”.

O confinamento, as votações secretas e o fumo branco da Capela Sistina. O que ocorre durante um conclave?

Inclusão foi o que outra peregrina portuguesa destacou do pontificado de Francisco.

“A aceitação de todos, isso é muito, muito importante”, referiu esta jovem, para sublinhar ainda a mensagem do Papa “de “espalhar o amor e a paz”.

Da Lustosa, Lousada (Porto), uma família não passava despercebida devido ao grupo de 54 pessoas que estava no santuário para assinalar o 90.º aniversário da matriarca, Maria Luísa Moreira, com filhos, netos e bisnetos.

A filha mais velha, Maria de Fátima Couto — “Fátima por causa do nome de Nossa Senhora” –, realçou que Francisco, apesar de já estar no limite da sua saúde, foi sempre “muito corajoso”.

“Foi muito amigo dos jovens e do mundo em geral”, declarou a peregrina de 64 anos, lamentando que a sua mensagem nem sempre ter sido acolhida com sucesso.

[Já saiu o quinto episódio de  “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo PodcastPlus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro e aqui o quarto episódio]

Já a religiosa timorense Laurinda de Jesus, de 25 anos, descreveu Francisco como o Papa que tinha “um grande coração para os povos”, enquanto a francesa Monique, de 75 anos e que reside há seis em Leiria, descreveu Francisco como “moderno”, esperando que “o próximo papa também o seja”.

O Papa Francisco morreu esta segunda-feira aos 88 anos, após 12 anos de um pontificado marcado pelo combate aos abusos sexuais, guerras e uma pandemia.

Nascido em Buenos Aires (Argentina), em 17 de dezembro de 1936, Francisco foi o primeiro jesuíta a chegar à liderança da Igreja Católica.

Francisco esteve internado durante 38 dias devido a uma pneumonia bilateral, tendo tido alta em 23 de março. A sua última aparição pública foi no domingo de Páscoa, no Vaticano.

Em 2017, por ocasião do centenário dos acontecimentos na Cova da Iria e da canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, o Papa esteve pela primeira vez no Santuário de Fátima.

As duas visitas do Papa Francisco a Portugal em 45 imagens que ficarão para a história do país e da igreja

Já em 2023, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, também marcou presença no maior templo mariano do país.

Em 3 de agosto desse ano, em Lisboa, o Papa garantiu aos milhares de jovens que se encontravam no Parque Eduardo VII, que “na Igreja há espaço para todos”, para “jovens e velhos, saudáveis e doentes, justos e pecadores, todos, todos, todos”.

Os sinos da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, no santuário, vão tocar sinais fúnebres, diariamente, após as 09h30, até ao dia do funeral do Papa, enquanto a prece pelo líder da Igreja Católica, iniciada assim que foi conhecida a sua morte, vai manter-se nas missas oficiais, também até ao seu funeral.

Morreu o Papa Francisco. Do funeral ao conclave, o que acontece agora?