O Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, considera ser necessário que sejam feitas mais diligências para obter provas nos crimes de violência doméstica com o objetivo de combater a dificuldade de levar os casos a tribunal.

“Há filhos e o próprio agressor deverá ser ouvido, no meu ponto de vista. Se as pessoas são tratadas no hospital, devemos perguntar à pessoa que a tratou. Devemos tentar fazer tudo o que está ao nosso alcance para encontrar a prova”, defendeu Amadeu Guerra em declarações na emissão especial do programa “Três por todos” da rádio Renascença, dedicado à violência doméstica. “Se uma pessoa é agredida e tem sinais evidentes de agressão, alguém agrediu. Se ela diz que é o parceiro, há que confirmar minimamente a situação”, acrescentou ainda.

O PGR defendeu, ainda, que tem havido uma “aposta na prevenção” contra a violência doméstica, o que permite que o país “esteja a melhorar um pouco”. “Este ano estamos com uma taxa inferior ao ano passado, em termos comparativos. São sete ou oito pessoas, um dos casos ainda não sabemos bem se efetivamente é violência doméstica. No ano passado tivemos 22 homicídios”, anunciou.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 3.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui e o segundo aqui.]

No mesmo programa, o diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, considerou ser importante que a investigação aos crimes de violência doméstica não se limite a testemunhos e exames médicos. “O local do crime pode conter provas científicas importantes, como fluidos, vestígios biológicos e roupas da vítima”, relembrou, apontando ainda.

Para Luís Neves, é também fundamental o alargamento das competências da polícia científica para crimes não só de violência doméstica, como também de violações e agressões, lembrando o atual papel das redes sociais. “Há um telemóvel, há mensagens que têm que ser recuperadas no mais curto espaço de tempo possível”, defendeu.