“Não há espaço para Bezos“, lê-se em várias faixas e cartazes espalhados por Veneza, num trocadilho que menciona a atividade do norte-americano, fundador da Amazon e da Blue Origin, a empresa de exploração de turismo espacial que em abril levou a primeira tripulação só de mulheres ao espaço, na qual se incluía a antiga jornalista Lauren Sanchez, que no dia 28 de junho vai dar o nó com Bezos.
Em março foi divulgado que o multimilionário e segundo homem mais rico do mundo e Sanchez, iam casar em junho deste ano e que tinham escolhido Veneza como destino para a cerimónia, que deverá acontecer, entre outros locais, a bordo do Koru, o super iate de Bezos, que está avaliado em 500 milhões de euros.
Ao mesmo tempo que decorrem agora os últimos preparativos para o casamento, que se espera mégalomano, do bilionário norte-americano, marcado para semana que vem, centenas de manifestantes preparam-se para protestar contra a realização da cerimónia naquela cidade.
Para os habitantes de Veneza e vários ativistas que se juntaram à causa, a realização da cerimónia no local, que já é atormentado diariamente pelo turismo massivo, representa a venda da cidade a quem der mais. “Não estamos a protestar contra o casamento em si, mas contra uma visão de Veneza como uma cidade onde as pessoas vêm e consomem”, disse Marta Sottoriva, organizadora da campanha No Space for Bezos, à Euronews.
No Space for Bezos. pic.twitter.com/6soHsljp15
— Petra Reski (@PetraReski) June 13, 2025
“Não temos nada contra casamentos, não somos desequilibrados”, garantem ativistas
Tommaso Cacciari, um dos ativistas que está a planear manifestações que poderão vir a incluir o bloqueio de estradas ou dos canais, garante ao Corriere Della Sera que o grupo não tem nada contra casamentos. “Não somos desequilibrados, mas não gostamos da arrogância deste bilionário que pensa que pode comprar tudo com o seu dinheiro, até Veneza”, assegura.
O italiano destaca ainda a “arrogância” do autarca da cidade que “descaradamente disponibilizou a Igreja da Abadia da Misericórdia” para a cerimónia, destacando um “assustador conflito de interesses” em relação a locais que fazem parte do Património Mundial da UNESCO.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 5.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]
Os ativistas destacam a contradição entre a abertura de Veneza para a luxuosa cerimónia e as medidas recentes tomadas para, contrariamente, mitigar os efeitos do turismo de grandes massas na cidade italiana. Em meados de abril começou inclusivamente a ser cobrada uma taxa de entrada na cidade que pode chegar aos 10 euros no caso de a visita não ser agendada com antecedência.
A verdade é que vão chegar à cidade nos próximos dias — a cerimónia decorrerá entre 26 a 28 de junho — não só diversas celebridades, entre elas Oprah Winfrey, Mick Jagger, Lady Gaga, Eva Longoria, Katy Perry, Ivanka Trump, o clã da família Kardashian, os presidentes das grandes tecnológicas (Bill Gates, Zuckerberg e, talvez, Musk), mas também dezenas, senão centenas, de jornalistas para cobrir o evento, bem como populares e curiosos.
Da parte dos ativistas, há já certezas em relação ao modo como pretendem atuar. “No dia 28 vamos juntar-nos para um protesto pacífico. Impediremos o acesso à igreja por mar, com insufláveis e barcos, e por terra com os nossos corpos”, anuncia Alice Bazzoli, uma das organizadoras.