Com as negociações sobre a repetição de uma coligação de direita para a Câmara de Lisboa sem novos avanços, o CDS-Lisboa reuniu-se para deixar um aviso a Carlos Moedas: o partido quer continuar a integrar a aliança Novos Tempos, liderada por Carlos Moedas, mas para que isso seja “viável” é preciso que os democratas-cristãos sejam “valorizados”, independentemente do alargamento da coligação a novos partidos (leia-se a Iniciativa Liberal).
Num plenário que reuniu dezenas de militantes e autarcas de Lisboa, como o Observador tinha antecipado, foi tomada por unanimidade uma resolução que estabelece a “estratégia” para as eleições autárquicas deste ano. Primeiro ponto: a coligação Novos Tempos é um projeto “vencedor”, que deve ter “continuidade”, “dando assim seguimento ao trabalho que vem sendo feito em Lisboa e em que estão envolvidos os autarcas do CDS, sob a presidência de Carlos Moedas”, lê-se no texto a que o Observador teve acesso.
Depois chega o aviso ao mesmo Carlos Moedas, numa altura em que PSD, CDS e IL já chegaram a um acordo autárquico no Porto e em que Lisboa continua numa situação de impasse: a valorização do contributo do CDS, tendo em conta a sua “experiência”, conhecimento da cidade e dos desafios que os lisboetas atravessam, é “da maior importância” — “independentemente de um eventual alargamento da base de apoio da coligação”, que está a ser negociado com os liberais.
Assim, neste plenário concedeu-se ao presidente da distrital, o secretário de Estado Telmo Correia, e à presidente da concelhia de Lisboa, Maria Luísa Aldim, um mandato para “desenvolverem contactos junto do parceiro de coligação, o PSD, e do Presidente da CML, para aprofundarem esta intenção e a sua viabilidade, definindo os termos desta parceria e da coligação que se pretende renovar”.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 6.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui e o quinto aqui]
As negociações têm decorrido de forma muitas vezes informal e estão mais atrasadas do que o CDS gostaria, fazendo com que informação e contra-informação sobre os termos da próxima coligação — não tendo Carlos Moedas anunciado ainda a sua recandidatura — circulem nos bastidores dos partidos. O CDS já fez saber que não está satisfeito com o “impasse” nas negociações, rejeitando ser “menorizado” em comparação com a Iniciativa Liberal.
Além do programa em si, que os partidos terão de desenvolver em conjunto, está em causa uma matemática simples que tem a ver com os lugares disponíveis nas listas para Lisboa: o CDS está hoje numa posição muito diferente da que tinha há quatro anos, quando liderava a oposição em Lisboa (tinha até ultrapassado, com a candidatura de Assunção Cristas em 2017, o PSD). Entretanto, desapareceu do Parlamento e recuperou essa presença graças à coligação a nível nacional com o PSD, enquanto os liberais cresciam e ganhavam espaço também a nível nacional.
A questão agora passa por perceber quantos lugares de vereação poderão tocar ao CDS numa coligação em que a IL também esteja incluída. Mais: com o anúncio de desfiliação do vice Filipe Anacoreta Correia — que caiu mal junto dos democratas-cristãos — falta saber se este poderá candidatar-se a um lugar como independente, ficando assim mais um lugar na vereação ocupado.
Entre os liberais existia, já antes do último Conselho Nacional (que aconteceu a 15 de junho), a convicção de que as novidades sobre coligações autárquicas ficariam fechadas nos dias seguintes. Entretanto, a IL adiantou que chegou a acordo com o PSD de Pedro Duarte no Porto mas continua sem confirmar que haja acordo fechado para Lisboa, onde as negociações parecem mais difíceis.