O presidente do Conselho Europeu exortou esta quinta-feira Israel a “desbloquear totalmente” o acesso à ajuda humanitária em Gaza, defendendo ainda esforços para uma “diplomacia eficaz” no Médio Oriente, dada a atual instabilidade.
“Uma paz duradoura no Médio Oriente exige uma solução duradoura em Gaza. Apelamos a Israel para que retire totalmente o seu bloqueio a Gaza”, pediu António Costa, numa publicação na rede social X.
The ceasefire between Israel and Iran is an important step towards restoring stability in the region. Now the focus needs to be on effective diplomacy.
A lasting peace in the Middle East requires a lasting solution in Gaza. We call on Israel to fully lift its blockade on Gaza.… pic.twitter.com/i2kaNe0Biz
— António Costa (@eucopresident) June 26, 2025
No dia em que o Conselho Europeu está reunido em Bruxelas para discutir, entre outros assuntos, a instabilidade no Médio Oriente, o responsável pela instituição referiu também que o movimento islamita palestiniano Hamas “deve libertar imediatamente todos os reféns”.
Já sobre cessar-fogo entre Israel e o Irão, Costa afirmou tratar-se “um passo importante para o restabelecimento da estabilidade na região”. “Agora é necessário concentrarmos-nos numa diplomacia eficaz”, salientou.
António Costa tem sido um dos líderes da UE mais vocais a condenar a situação humanitária em Gaza e, numa altura em que as operações israelitas já causaram mais de 56 mil mortos desde o ataque do Hamas em outubro de 2023, o antigo primeiro-ministro português levou de novo o assunto ao Conselho Europeu.
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Na reunião, os chefes de Governo e de Estado da UE “deploraram a terrível situação humanitária” na Faixa de Gaza, perpetrada por Israel, considerando “inaceitável o número de vítimas civis e os níveis de fome” com o bloqueio à entrada de camiões no enclave palestiniano, nas conclusões escritas aprovadas no encontro. No texto, o Conselho Europeu disse tomar “nota do relatório sobre o cumprimento do Artigo 2.º do acordo de associação entre Israel e a UE”, que dá conta de violações dos direitos humanos por parte de Telavive, e anunciou que em julho vai começar a discutir como proceder. No entanto, Alemanha, República Checa e Hungria estão contra uma revisão do acordo de associação e opõem-se à suspensão.
Sobre o Irão, e três dias depois de entrar em vigor o cessar-fogo com Israel, o Conselho Europeu saudou a decisão de Telavive e Teerão de “acabar com as hostilidades” e pediu contenção nas ações que possam levar a “uma nova escalada” das tensões. Em simultâneo, os líderes da UE querem que o Irão respeite as obrigações no tratado de não-proliferação de armamento nuclear.
Os chefes de Governo e de Estado da UE estão reunidos em Bruxelas na terceira reunião ordinária liderada pelo atual presidente do Conselho Europeu, António Costa, sendo à semelhança das anteriores muito marcada pela atualidade geopolítica. Portugal está representado na reunião pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Na chegada ao encontro de nível, Luís Montenegro garantiu existir uma “posição forte” entre os líderes da UE para instar ao fim do “flagelo humanitário” em Gaza, devido à ofensiva israelita, esperando colaboração das partes envolvidas no conflito para assegurar assistência.